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Resenha: Identity (2009)

Álbum de Airbag

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Uma estreia de respeito, ainda que sob fortes Influências

Autor: Expedito Santana

11/09/2020

Identity marca a estreia long play do Airbag, antes a Banda havia produzido apenas EP´s.  O disco foi lançado em 2009. Confesso que não foi o primeiro da banda que ouvi, comecei pelo último, “A Day at the Beach” (2020), que me chamou a atenção para o som atmosférico e melódico que os noruegueses fazem com muita competência. 

A formação da banda nesse Álbum contou com Asle Tostrup nos vocais, que trabalhou na produção e mixagem também; Bjørn Riis nas guitarras e vocais; Jørgen Grüner-Hagen nos teclados, Anders Hovdan no baixo e Joachim Slikker na bateria. 

Airbag tem uma música de qualidade impressionante, marcada por melodias, climas reflexivos e solos de guitarra excelentes, que lembram muito o Pink Floyd, principalmente as guitarras do mestre Gilmour. O vocalista Asle Torstrup possui um timbre característico de bandas do gênero dark, e o som da banda carrega uma melancolia densa, com ocasionais momentos mais otimistas e agitados.

Faço abaixo uma análise sucinta de cada faixa do álbum, baseada nos aspectos emotivos e sentimentais que o som da banda desperta neste que vos escreve.

“Prelude” é primeira do Álbum, uma faixa instrumental de característica bem atmosférica e que inicia com as batidas de um relógio, apresenta guitarras gilmourianas bem calmas e passa uma forte sensação de ambiente zen, reconfortante e suave, quase anestésico, diria. A bateria é bem discreta e o baixo minimalista, ambas deixando a guitarra se destacar. Introduz bem o tipo de material que vai ser encontrado em grande parte do Álbum. 

'No Escape' tem uma linha de baixo bem interessante, guitarras que parecem que vão explodir a qualquer momento, mas que permanecem contidas, os vocais são ótimos, melódicos na medida certa, lembrando Riverside e Porcupine Tree. Os teclados sintetizadores ao final mudam o ritmo da canção, deixado que ela termine mais calma. Boa música, mas parece faltar algo. 

A terceira faixa é “Safe Like You”, uma das minhas favoritas, guitarras viajantes e calmas, os vocais novamente remetem a Riverside e Porcupine Tree, o que não é nenhum pecado, as baterias entram bem discretas, deixando o vocal predominar, há um conteúdo emotivo nos vocais belíssimo, em alguns momentos o instrumental lembra Anathema, encharcada de sentimento e certa dose de melancolia. Solo de guitarra bem legal, com introdução de efeitos de pedal, bem encaixado e respeitando o espírito da música. Grande momento do disco.

“Steal My Soul”, no alto seus oito minutos, parece ser o grande destaque aqui. Uma entrada vocal que arrepia, guitarras espaciais e atmosféricas e um teclado faz a entrada de maneira charmosa. Aliás, os vocais são espetaculares ao longo da música, parecendo querer exprimir dor e resignação. O solo final é bem floydiano, não dá pra deixar de fazer essa observação. Quem gosta dos solos viajantes de Gilmour vai ficar absolutamente extasiado, técnica e emoção combinadas, simplesmente arrepiante, você torce para não terminar, até que o volume vai gradualmente diminuindo e a música finda de maneira terna. Ponto para os noruegueses. 

“Feeling Less” começa com guitarras bem interessantes e tristes, não deixa de lembrar Porcupine Tree, principalmente os vocais de Asle, porém, percebo uma identidade dos noruegueses já aparecendo de forma mais nítida. Do meio pro final a música assume um tom um pouco diferente durante o solo e fica um pouco menos soturna. A clara influência notada não diminui o brilho da banda. Sempre tenho muito cuidado ao analisar bandas que são muito conhecidas por suas influências, a fim de não conferir uma pecha de clone injustamente. Resumindo: ótima canção. 

“Colors” abre com violões bem legais, puxada por um vocal apaixonado e levemente choroso, apresenta um solo de guitarra antecipado aos dois minutos, bem curtinho, que dá um charme todo especial. Uma sinfonia aparece de repente para deixar a canção ainda mais bonita e sentimental. Os vocais nessa parte são soberbos. A canção então dá uma breve parada, parecendo indicar um caminho mais slow ainda, quando entra um baixo bem marcante seguido por um solo de guitarra simples, mas bem adequado ao momento, até que a guitarra explode novamente de forma passional, muito emocionante. Os caras sabem criar um clima cool durante toda a música, que termina com guitarras calmas e tranquilizadoras. Canção estelar, não menos que magnífica, sem dúvida, uma das marcas genuínas da banda. Arranca lágrimas dos mais sentimentais. 

A experimental ‘How I Wanna Be” lembra até a carreira solo de Steven Wilson. Vocais tristonhos, melancólicos e encharcados de dor. Teclados dão um clima atmosférico que são o pano de fundo perfeito para os vocais de Asle e as guitarras de Bjorn. Em determinado momento a faixa também nos leva ao som do Anathema, principalmente pelo verniz etéreo e angelical que assume. Tem um final um pouco demorado com sons que não acrescentam nada, mas que também não comprometem a qualidade da música. Nada sensacional, mas é uma boa música. 

“The Sounds That I Hear” fecha os trabalhos de maneira bem digna. Começa com teclados tranquilizadores, os vocais de Asle são pura melancolia, a canção é tão calma que induz até ao sono (vale dizer que isto não é pecado!!! pelo menos pra mim), os teclados continuam sendo a base da música, com pequenas inserções de guitarra e bateria. Até que por volta dos 4min Bjork apresenta um solo bem marcante e levemente alto astral, quebrando um pouco o ritmo sonolento da música. Gilmour aprovaria, tenho certeza, sobretudo por ser técnico, minimalista e sem peripécias. 

Identity pode ser considerada uma estreia de respeito, na qual as influências de outras bandas são claramente sentidas (Pink Floyd, Porcupine Tree, Riverside etc), embora não prejudiquem a identificação de um DNA próprio dos nórdicos (não custa lembrar o título do disco). Enfim, um primeiro passo bem digno e que daria um mostra do potencial que seria mais amplamente explorado nos trabalhos subsequentes, principalmente em All Rights Removed (2011) e The Greatest Show On Earth (2013). Recomendável para os fãs do soft rock, ambient music e do rock progressivo climático e melódico.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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