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Resenha: Stop And Smell The Roses (1981)

Álbum de Ringo

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Com mais uma pequena ajuda dos amigos

Autor: André Luiz Paiz

11/09/2020

E lá vamos nós. Ringo tentou sozinho, tentou com os amigos ex-Beatles, tentou com compositores contratados e tentou mudar de estilo musical, sempre com a crítica pronta para atacá-lo. Agora, em "Stop And Smell The Roses", foi a vez de lidar com a pressão de mais uma vez não decepcionar, já que "Bad Boy" merecidamente foi um fracasso.

Temos aqui o primeiro disco de Ringo após o assassinato de John Lennon. Inclusive, seu amigo ex-Beatle tinha a intenção de auxiliá-lo mais uma vez nas composições, assim como novamente fizeram Paul McCartney e George Harrison, mas, por conta dessa fatalidade, Ringo optou por não lançada "Nobody Told Me" e "Life Begins at 40". A primeira acabou lançada postumamente por Yoko Ono no disco "Milk And Honey" e a outra possui algumas demos que podem ser encontradas no YouTube ou na coleção "The Lost Lennon Tapes". "Stop And Smell The Roses" é um bom trabalho, que começa com um belo empurrãozinho de Paul e George, mas acaba perdendo um pouquinho da força no final. Vamos aos destaques:

Paul estava em pausa definitiva com os Wings e tinha lançado o álbum "McCartney II". Ajudou Ringo nas ótimas "Private Property" e "Attention", sendo a segunda a melhor delas. Composições com classe, mesmo com Ringo deixando um pouco a desejar no vocal, que aliás é um dos pontos fracos, já que o baterista fica praticamente o tempo todo em sua zona de conforto.
Temos também "Wrack My Brain", com contribuição de George Harrison. Adoro essa faixa, pois ela traz aquela pegada diferente e ousada do álbum "Ringo". Uma canção legal e que surgiu em um período ruim de George em termos criativos. O guitarrista também queria que Ringo gravasse o hit "All Those Years Ago", que acabou sendo gravada pelo próprio George após alterar a letra para homenagear John Lennon.
Entre as faixas que citei temos uma composição de Ringo com Harry Nilsson e que é bem legal: "Drumming Is My Madness". A dupla também assina a faixa que fecha o primeiro lado: "Stop and Take the Time to Smell the Roses", um pop dançante feito para soar engraçado, mas que resulta na música mais fraca até aqui.
Sem o poder de fogo da primeira metade, o lado B é salvo por alguns covers. Ele abre com "Dead Giveaway", uma boa faixa composta por Ringo e Ronnie Wood, que também toca no disco. A batida é bem legal, com as marcações da bateria e o tecladinho acompanhando. "You Belong to Me" é uma faixa cover originada nos anos 50. Ficou legal também, trazendo um pouco da essência daquele período. "Sure to Fall", de Carl Perkins, Quinton Claunch e William Cantrell, é um country lindo, suave e foi abrilhantado pelo vocal de apoio de Linda McCartney.
Chegando ao final do disco temos "You've Got a Nice Way", de Stephen Stills e Michael Stergis, um pop dançante bem feito, mas sem tanto brilho. E finalizamos com uma regravação totalmente desnecessária de "Back Off Boogaloo", com muito menos energia que a original.

A versão em CD traz mais algumas faixas extras: "Wake Up", "Red and Black Blues" (Lane Tietgen), "Brandy" (Joseph B. Jefferson e Charles B. Simmons), outra versão de "Stop and Take the Time to Smell the Roses" e "You Can't Fight Lightning", que era para ser o título do álbum, além de uma faixa de divulgação chamada "Hand Gun Promos". Vale a conferência, mas são músicas obviamente inferiores em comparação com as que entraram no álbum.

Gosto de "Stop And Smell The Roses" e acho que serviu para colocar Ringo de volta nos trilhos. Dá pra curtir bem o material, que resulta em uma audição entre pop e rock bastante agradável. Só não dá pra elogiar a capa...

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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