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Resenha: Restless Heart (1997)

Álbum de Whitesnake

Acessos: 75


Como álbum solo funciona muito bem

Autor: André Luiz Paiz

11/09/2020

Após a dissolução do Whitesnake, a parceria com Jimmy Page e um tempo para descansar, David Coverdale encontrou grandes mudanças ao tentar retornar para a cena musical. O grunge tinha surgido - ainda meio a contragosto de alguns  - e estava brotando o que conhecemos até hoje como Nu Metal. Na contramão de tudo o que estava acontecendo, Coverdale retornou com um belo material criado durante o seu afastamento, tudo feito de maneira bastante introspectiva e com foco em suas raízes. E assim saiu "Restless Heart", em 1997.

Vamos começar pelo principal problema: "Restless Heart" saiu sob o nome Whitesnake por exigências da gravadora, mas a intenção de David foi de lançar um disco solo, e isso já explica muita coisa. Você não encontrará uma continuação de "Slip of The Tongue" ou daquele Whitesnake épico que a banda se tornou com o espetacular "Serpens Albus" (1987), e sim encontrará um compositor criando direto do seu "coração inquieto" e expondo todas as suas reflexões da vida, da juventude e do amadurecimento, em sua maioria dentro de canções que combinam com esta temática. Temos baladas, aquele blues rock gostoso e tranquilo, e outros momentos mais "hard".

O grande parceiro de David Coverdale aqui é o guitarrista Adrian Vandenberg, que fez um excelente trabalho. A produção cristalina também brilha, assim como David Coverdale, ainda conseguindo alterar entre as linhas graves e os drives com maestria.
São 14 faixas, sendo as três últimas, "Anything You Want", "Can't Stop Now" e "Oi" (instrumental) disponíveis apenas na versão japonesa. E realmente soam como faixas bônus. "Stay With Me" é uma cover de Lorraine Ellison e que, apesar do seu bom resultado, também poderia ter ficado nesta lista extra. Com estes detalhes cobertos, vamos aos demais destaques:
"Don't Fade Away" é maravilhosa. Uma escolha diferente para abrir o disco, já que trata-se de uma balada bem distante das tradicionais de David, mas sua estrutura em termos de composição é perfeita. Gosto e consigo repetir a audição por diversas vezes. "All in the Name of Love" traz aquele blues rock gostoso, com boas linhas de teclado e corais no refrão. É outro destaque. A faixa que leva o nome do álbum tem peso e é puxada para o hard, chamando a atenção. Das baladas, "Too Many Tears" agradou em seu lançamento, mas ela não me causa arrepios como "Don't Fade Away". "Can't Go On" também funciona bem, assim como "Your Precious Love". Por fim, o disco também tenta encaixar o lado hard e rock em vários momentos, embora estas faixas curiosamente me soam desconexas. Mas dá pra curtir bons momentos em "Crying" - um hard mais cadenciado e com destaque para os vocais, "You're So Fine" - um rockão - e certamente "Woman Trouble Blues" - pesada e enérgica.

Por se tratar de uma tentativa de retorno à cena musical e por representar muito o lado pessoal de David Coverdale, "Restless Heart" tem o seu valor e merece um lugar na prateleira. É um disco que deu forças para Coverdale retornar às apresentações ao vivo e também com o verdadeiro Whitesnake um pouco mais adiante.


Faixas:
"Don't Fade Away" – 5:02
"All in the Name of Love" – 4:42
"Restless Heart" – 4:50
"Too Many Tears" – 5:44
"Crying" – 5:34
"Stay with Me" (Jerry Ragovoy, George David Weiss) – 4:09 (Lorraine Ellison cover)
"Can't Go On" – 4:27
"You're So Fine" – 5:10
"Your Precious Love" – 4:34
"Take Me Back Again" – 6:02
"Woman Trouble Blues" – 5:35

Japanese edition bonus tracks
"Anything You Want" – 4:11
"Can't Stop Now" – 3:27
"Oi" (instrumental) (Denny Carmassi, Coverdale, Vandenberg) – 3:47

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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