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Resenha: Who's Next (1971)

Álbum de The Who

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Uma continuação mais ou menos de um projeto ambicioso

Autor: José Esteves

10/09/2020

Com o sucesso massivo de Tommy, a banda estava se sentindo a parte de sua platéia. O público original da banda já estava casada, não podendo viajar com a banda pelas turnês, além de mais de um milhão de pessoas terem assistido aos concertos ao vivo, o que prontificou a banda a criar um novo projeto ainda mais ambicioso que Tommy: Lifehouse, onde as músicas da banda iam se alterar de acordo com como a platéia estaria se sentindo durante as músicas. Quando esse projeto se provou infrutífero, a banda juntou as músicas feitas com outros pedaços e lançou o quinto álbum, que surpreendentemente suplantou Tommy como álbum de maior sucesso da banda, conquistando elogios generalizados tanto da crítica quanto da população, além de três discos de platina e um lugar na lista dos 500 melhores álbuns da Rolling Stones.

O álbum é claramente uma colcha de retalhos de vários momentos diferentes, momentos esses que incluem vitórias e algumas derrotas. Definitivamente, Keith Moon brilha na bateria desse álbum, mostrando ao que veio e destruindo sonoramente o que podia, enchendo de improvisos em quase todos os lugares que podia, e claramente, Pete Townshend na guitarra é outro monstro que dá ao The Who o som que eles precisavam. Até o Roger Daltrey, já reconhecido como um vocalista de qualidade há anos, consegue surpreender com alguns dos melhores vocais da carreira. O elo fraco do álbum, pelo menos em questão de elenco, é o John Entwistle, que não só canta bem pior em sua faixa como vocalista, como só se sobressai no baixo nas piores músicas do álbum.

Pela característica de criação do álbum, o álbum tem pontos altos muito altos e pontos baixo regularmente baixos. Existe uma porção de clássicos nesse álbum, principalmente a primeira “Baba O’Riley”, com um teclado confuso que dura demais no começo, mas depois vira uma música excelente quando o Keith Moon entra, e a última, “Won’t Get Fooled Again”, que é uma fera de oito minutos com excelente guitarras e o vocal do Roger Daltrey, cortando como navalha. Mas, infelizmente, no meio dos clássicos, tem algumas faixas que não se encaixam no álbum de jeito nenhum: “Getting in Tune” lembra algo que os Beatles fariam sob efeito de muitas drogas e ninguém lembraria hoje; “My Wife”, a música que Entwistle canta, é só esquisita, apesar de ter algo de um soft rock; e “The Song is Over”, uma balada de piano confusa e sem direção que não combina nem um pouco com The Who.

A melhor faixa do álbum é outra clássica, “Behind Blue Eyes”, uma balada com violão e vocal que funciona surpreendentemente bem. O vocal do Roger é ótimo para transmitir melancolia, e essa faixa é cheia dela. Depois das partes que todo mundo conhece, a música ainda tem uma ponte que dá à música algumas camadas a mais, e apesar de não funcionar tão bem com baladas, o The Who cria uma muito poderosa.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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