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Resenha: Argus (1972)

Álbum de Wishbone Ash

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Folk prog nunca soou tão bem

Autor: José Esteves

09/09/2020

Tendo abrido shows para o Deep Purple (o que garantiu uma recomendação de Ritchie Blackmore da banda para um produtor amigo dele), a banda estava em rota de sucesso constante. O terceiro disco não seria diferente, tendo sido lançado pouco menos de um ano depois do Pilgrimage, mas a distância que o álbum iria percorrer pegou a todos de surpresa: foi eleito o melhor álbum de 1972 (ano de competição difícil) pela revista Sounds, além de conquistar ouro no Reino Unido e de ser, para muitos, o melhor álbum de todos os tempos.

Em questão de instrumentação, esse álbum não tem onde melhorar: seja o Andy Powell e o Ted Turner passando o holofote de um para o outro com excelentes solos de guitarra que brilham o álbum todo; seja o Martin Turner no baixo, fazendo várias linhas de baixo incríveis que se sobressaem perfeitamente por baixo dos arranjos perfeitos; seja a bateria de Steve Upton, que tem versatilidade e entrosamento com o resto da banda, ora criando cenários medievais para as músicas mais folks, ora criando esqueletos complicados para os rocks progressivos frequentes no disco.

As faixas são incríveis por conta da guitarra, mas infelizmente, não são muito únicas em seu próprio contexto, dando ao álbum um clima de álbum conceitual peça única: peça única essa que todos deveriam ouvir um dia, de uma vez só. Do lado folk, existe a “Warrior”, que peca um pouco pela falta de um gancho de qualidade, mas ganha pontos pela instrumentação que é impecável; do lado prog, existe a incrível “Sometime World”, com um começo sólido que aos dois minutos se transforma num rock de bastante peso; e do lado da mistura épica, temos “The King Will Come”, que mistura elementos de ambos os lados para criar uma sinfonia bem interessante, abusando da bateria com traços medievais.

A melhor faixa do álbum é a abertura, “Time Was”, um rock progressivo bem limpo, com um vocal que lembra bastante Crosby, Stills and Nash. A guitarra mostra as suas várias influências, indo de Beatles na Índia até o rock progressivo mais convencional, criando um clima muito divertido para a música (até um momento em que a guitarra desce cromaticamente na escala funciona bem, mesmo quando chega no grave que a guitarra nem aguenta direito com todos os efeitos).

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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