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Resenha: Gratia (2017)

Álbum de Sertanília

MPB

Acessos: 75


Um álbum cheio de graça

Autor: Roberto Rillo Bíscaro

08/09/2020

Em 2017, o Sertanilia voltou com Gratia, 14 faixas, contando com as vinhetas extraídas de reinados autênticos do alto sertão baiano e trechos de puro depoimento de História Oral.

Exceto pela faixa-título, Gratia vem menos brejeiro e bem mais épico, como atesta O Mundo de Dentro da Minha Cabeça. A poderosa percussão contribui para uma epicização do sertão, como a da galopante Balada Para Uma Vingança. Os baianos não se rendem à folclorização ingênua de jeito nenhum: veja como a embolada de Corre Canto é urbana e modernamente urgente e nervosa e a letra de Gado Manso fala muito mais do que dos bovinos, mas de massificação e manipulação midiáticas. Como não se vive apenas de ápices, Confissão é lamento embalado por violão e violoncelo.

A tradição de reis é fruto do encontro da herança ibérica das festas da Natividade - vindas com o imigrante galego-português - com a cultura dos descendentes dos africanos cativos no sertão, resultado numa expressão popular única. Gratia veio cheio de referências hispânicas: a espanhola Gaudi Galego dueta com Aiace em Devagar; há linda faixa chamada Castela; musicalização de parte da cantiga de amigo Flores do Verde Pinho, de D. Dinis; além de referências instrumentais à música galega no decorrer do álbum.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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