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Resenha: Nevermind (1991)

Álbum de Nirvana

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A revolução simples demais da música

Autor: José Esteves

08/09/2020

Além da falência da produtora que o Nirvana tinha contrato e a mudança de baterista (sai Chad Channing, entra Dave Grohl do Scream), a banda também decidiu tomar uma direção de fazer músicas mais simples. Kurt Cobain comparou a experiência com “fazer músicas para criança”, não aludindo à infantilização e sim, evitar arranjos complexos e instrumentações obsessivas. O resultado dessa experiência foi o segundo álbum da banda que, apesar do início comercialmente lento, alcançou alturas extraordinárias e inesperadas para a banda, alçando os ao estrelato nacional e internacional, basicamente criando um movimento, um dos álbuns mais rentáveis de todos os tempos conquistando disco de diamante e figurando no top 10 da lista da Rolling Stones de melhores álbuns.

O disco é simples e, por falta de palavra melhor, barato. Isso é visivelmente uma escolha estilística e pode não agradar quem prefere algo mais elaborado, mais progressivo ou apenas mais profundo. O único instrumento que se sobressai de uma forma mais elegante é a bateria do Dave Grohl, que consegue manter a energia exata do que a música pede. Krist Novoselic, no baixo, é pouco acionado, e quando acionado, desaparece na música, e a guitarra do Kurt Cobain, apesar de contribuir com alguns riffs interessantes aqui e ali, não é nada demais, apesar de ter se tornado icônico. No geral, Kurt Cobain escolhe entre dois vocais: um que é calmo, controlado e funcional; e o outro que é esganiçado, caótico e cacofônico.

Definitivamente esse álbum foi uma influência em toda a década seguinte, e quase todas as faixas tem um estilo especifico que é possível reconhecer como influência de uma banda. Apesar de algumas músicas ficarem numa mesmice quadrada sem evolução (“On a Plain”, “Come as you Are” e “Smell Like Teen Spirit terminam como começam sem muitas variações), existe também as deprimente demais para causar algum impacto (“Polly”). Também existem as faixas mais aventureiras (“Something in the Way” tem toda a melancolia de “Polly” e alguma profundidade), mas para compensar isso tem o desastre da última faixa (“Endless, Nameless”). O surpreendente é ver nas faixas mais desconhecidas, as influências de algumas bandas punk: no frigir dos ovos, é um álbum de punk rock que não fez muito para a música, mas fez muito para o estilo (“Loung Act” é fantástica e é uma clara influência no Green Day, por exemplo).

A melhor faixa do disco é “Breed”, uma faixa simples e crua, mas muito eficiente. Muitos elementos do Ramones e a voz do Kurt Cobain se mantém razoável durante ela toda. A bateria de Dave Grohl se sobressai como no resto do álbum e o baixo do Krist Novoselic dá alguns sinais de vida aqui e ali. Não é nada especial que vá chocar você, ainda mais quase trinta anos depois do lançamento, mas é uma experiência interessante de se ouvir anos depois.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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