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Resenha: Metallica (1991)

Álbum de Metallica

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No topo!

Por: Márcio Chagas

04/09/2020

Imagine uma banda ser precursora de um estilo, lançar álbuns que redefiniram o padrão musical de uma década e ter um público cativo lotando shows pelo mundo todo, comprando seus discos. O que falta para uma banda como essa? No caso do Metallica faltava o reconhecimento mundial da mídia e do grande público, fazendo com que ultrapassassem o nicho do heavy metal e se tornassem conhecidos mundialmente.

O grupo já havia sido estampado os jornais com o falecimento precoce do baixista Cliff Burton, mas ainda permanecia no underground. Dispostos a mudar isso, os lideres James Hetifield e Lars Ulrich, se reuniram na casa desse ultimo em Berkeley e começaram a compor varias canções que fariam parte do novo álbum.

Optaram por mudar a sonoridade utilizada até então, deixando de lado seu padrão thrash metal e se aproximando do heavy metal mais tradicional e cadenciado. Além disso, incluíram canções mais lentas e orquestradas como “Nothing Else Matters”, dando ao ouvinte comum certo descanso em relação ao peso. Os arranjos estão mais simples e menos complexos que no disco anterior, “And Justice For All”, deixando as músicas mais diretas e mais curtas, facilitando a assimilação do ouvinte.

A guitarra atrabiliária de James continua lá, ditando o ritmo dos temas, mas é notório que o estilo insano de Ulrich foi controlado, tudo para deixar as composições em um padrão mais simples e acessível.

Outro diferencial foi a colaboração dos demais membros, o guitarrista Kirk Hammett e o “novato” baixista Jason Newsted, que pela primeira vez contribuiu nas composições do grupo, como ocorreu no riff de “My Friend of Misery”, que inicialmente seria instrumental. Com a mudança na sonoridade, Hammett traz a tona de forma mais direta suas influências setentistas, criando solos na linha de Michael Schenker (UFO), Scott Gorham (Thin Lizzy) e até algumas escalas de blues.

As letras foram escritas majoritariamente por Hetfield e também demonstram uma evolução, pois o músico utiliza uma abordagem mais introspectiva e pessoal, falando de temas como a morte precoce de sua mãe, que por conta da religião recusou tratamento de câncer (em “The God Tht Failed”), fé desmedida em religião, saudades de casa e da namorada, sonhos e até folclore europeu. Segundo James, sua inspiração para as letras sofreu influência direta de John Lennon, Bob Dylan e Bob Marley.

Inicialmente a dupla pensou em assumir a produção do álbum, mas Lars ouviu Dr. Feelgood do Motley Crue e ficou entusiasmado com a sonoridade conseguida por Bob Rock, optando por convida-lo a produzir o disco. 

Apesar de vários conflitos entre Bob e a banda, que jurou nunca mais trabalhar com o Metallica, produtor e músicos seguiram firme com o intuito de extrair o melhor de cada canção e mesmo sendo um disco de temas mais amplos, continua soando uniforme do inicio ao fim, mantendo a unidade da banda. Talvez seja esse o grande mérito de “Black Álbum”. 

Além do mais, Bob incentivava o grupo a compor juntos e partilhar suas ideias o tempo todo, fazendo com que soassem mais coesos, a intenção era que as canções fossem criadas em torno da bateria de Lars, para que esta ganhasse algum groove e soasse menos direta. 

Trabalhou também os vocais de Hetifield para que soassem mais harmônicos e menos rasgados e principalmente deu prioridade ao baixo de Newsted, completamente negligenciado no álbum anterior. Segundo o produtor, o instrumento não deveria mais ser tocado como uma guitarra, mas como um real contrabaixo.

Não é fácil destacar as músicas do disco, uma vez que todas são clássicas. É impressionante que metade do álbum tenha sido lançado como single, ou seja, seis das doze faixas.

Pessoalmente adoro “Enter Sandman” que abre o álbum mostrando um grupo diferente, mas com o mesmo vigor; A balada “The Unforgiven”, com seu clima western, soturna e arrastada; O riff empolgante de “Wherever I May Roam” e a citada “Nothing...” com arranjos do grande Michael Kamen.

A capa é uma das mais minimalistas desde o álbum branco do Beatles. O grupo optou pelo oposto, utilizando um fundo completamente preto, trazendo o nome da banda e uma cobra derivada da bandeira Gadsden, embora muitos na época tenha associado a serpente a uma outra, ilustrada na capa de “Relayer” (Yes).

O modo como foram impressos na capa mal dava para serem vistos, então muitos fãs começaram a chamar o disco simplesmente de “Black Album”. O petardo foi lançado em 12 de agosto de 1991, vendendo 598.000 cópias somente na primeira semana. Em duas semanas já era disco de platina e colocou o grupo na inédita posição de primeiro lugar no top 200 da Billboard.

Além das intensas vendas, “Black Álbum” foi aclamado pela crítica, ganhando diversas premiações, como o de melhor vídeo de rock por “Enter Sandman”, o álbum do ano pela Billboard, além do Grammy de melhor performance de heavy metal, onde Lars agradece cinicamente ao Jethro Tull por não ter lançado nenhum álbum naquele ano (Conhecido por seu estilo Folk progressivo, o Jethor Tull havia ganhado o Grammy de melhor performance de heavy metal no ano anterior).

Com seis singles no mercado, vendas intensas e um mega turnê mundial, o Metallica conseguiu seu intento: “Black álbum” tirou o grupo do underground do thrash e catapultou a banda ao estrelato mundial se tornado um verdadeiro clássico do rock pesado.

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