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Resenha: Mirage (1974)

Álbum de Camel

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Rock progressivo de qualidade

Autor: José Esteves

04/09/2020

Com o fracasso comercial do disco de estréia, a banda foi movida da Decca para Deram, subsidiária mais direcionada para lançamentos do tipo experimentais. Com isso, a banda decide explorar mais o lado instrumental do grupo, principalmente com a exposição da flauta do guitarrista Andrew Latimer. Apesar do álbum ter sido um sucesso de crítica, o disco não fez muito sucesso comercialmente, contudo a crítica moderna julga o álbum imprescindível em uma coleção de rock progressivo.

Definitivamente é um álbum de rock progressivo de muita qualidade, com faixas longas de muito experimentalismo e instrumentação, basicamente dependendo do teclado Peter Bardens e da flauta e guitarra de Andrew Latimer. Em especial, os solos de guitarra são incríveis e são alguns dos melhores solos de guitarra que o rock progressivo tem a oferecer. Além disso, o baterista Andy Ward coloca velocidade em vários momentos que outras bandas de rock progressivo fariam músicas mais lentas, criando um som único tanto para o gênero quanto para época. Infelizmente, os vocais são bem fracos, sendo bem desnecessários inclusive em um álbum que poderia ter sido puramente instrumental, e o baixo de Doug Ferguson é pouco requisitado no álbum todo, aparecendo pouco para um álbum que podia ter linhas de grave mais interessante.

O disco tem apenas cinco faixas, das cinco dois medleys de mais de nove minutos de duração. São nessas faixas que a banda abusa um pouco mais do experimentalismo e pende um pouco para o lado do folk, especialmente em “The White Rider”, com marchas e trompetes saídos direto de uma feira renascentista, o que destoa, por exemplo, da abertura do álbum, “Freefall”, que rouba elementos de space rock. Outra faixa mais experimental é “Supertwister”, uma instrumental feita para a flauta brilhar bastante, lembrando bastante uma boa música do Jethro Tull, sem ficar prog demais e entrando em repetição desnecessária.

A melhor faixa do álbum é o último medley, “Lady Fantasy”, o único momento do álbum em que o vocal funciona, sem parecer que está se limitando por falta de qualidade, lembrando o Days of Future Passed do Moody Blues. A guitarra é fantástica, oscilando de elétrica e cheia de efeitos para algo mais acústico e romântico rapidamente, e a bateria sabe fazer o que tem de ser feito para a música ter o melhor andamento possível.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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