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Resenha: Ball (1969)

Álbum de Iron Butterfly

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Um desastre de continuação

Por: José Esteves

03/09/2020

Após o sucesso massivo do single e álbum “In-A-Gadda-Da-Vida” e serem convidados para participar de Woodstock (apesar deles terem tido problemas no aeroporto e não conseguiram chegar na hora marcada, sendo eventualmente cancelados), Iron Butterfly era incrivelmente popular e era uma das bandas mais famosas na época. Com essa inércia, a banda lançou o segundo e último disco com o elenco mais famoso do grupo. O álbum alcançou maior sucesso imediato do que o predecessor, garantindo certificação ouro.

Muitas vezes no mundo da arte uma obra incrível é ignorada ou duramente criticada no momento, apenas para depois as pessoas entenderem a obra e, por causa do arrependimento ou de uma visão modificada do assunto, começarem a elogiar as próximas obras, não importando a qualidade delas. Esse disco é um desastre musical de proporções homéricas: não tem uma única música boa nele, por culpa principalmente do vocalista, Douglas Ingram, que imprime esse vocal quase operático shakespeariano em cada uma das faixas. Mesmo as músicas que eram para ser leves e tranquilas tem uma gravidade que não combina com a ideia da faixa.

Geralmente, quando uma banda lança uma coisa que alcança um público maior, a tendência é eles lançarem um disco “mais do mesmo”. No caso, era esperado que tivesse uma faixa de 20 minutos de rock ácido psicodélico. Não só não tem nada disso, mas as coisas que a banda tinha que eram de qualidade foram jogados no lixo: o baixo não é mais proeminente, o órgão não é mais um fator impressivo na banda. Tem músicas que são crooners mal feitos (“Lonely Boy”) que tem que ser ignorados para sempre; outras são só repetitivas que parece que tiveram uma ideia boa e decidiram colocar ela ad nauseam (“Real Fright”, “In the Crowds” e “Her Favorite Style”, essa última parece que é música de video-game mal feita).

A melhor música do álbum é a primeira, “In The Times of Our Life”, um dos singles desse álbum medonho: uma marcha com um quê de requiém com um órgão interessante. O vocalista parece que acha que as pessoas acham a voz dele interessante, sendo que o que fez sucesso no hit single da banda foi o fato dele ter passado a maior parte da música calado. Apesar de ser a melhor música do disco, o baixo, que era uma das coisas mais interessantes do grupo, é completamente suprimido.

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