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Resenha: When A Woman Loves (2018)

Álbum de Jaki Graham

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Diva negra pouco lembrada dos anos 80

Por: Roberto Rillo Bíscaro

01/09/2020

Nos 80’s, falava-se nas cantoras britânicas branquelas que tinham vozes fortes, geralmente associadas a negras. Helen Terry e Alison Moyet são as mais cotadas. Curiosa, mas não acidentalmente, a negra Jaki Graham teve apenas sucesso comercial moderado com os três álbuns lançados pela EMI, na década.

Nascida em Birmingham, em 1956, Graham sempre foi admirada entre os pares pela voz quente, mas nunca esteve nos topos das paradas, embora tenha tido canções populares na Europa, Ásia, Oceania e até na parada dance da Billboard. Como nunca foi de massa, seu nome é (quase) nunca lembrado nos revivalismos oitentistas.

A britânica jamais parou de fazer shows, mas raramente lançava material, até que dia 6 de julho, de 2018, surgiu When A Woman Loves, pela JNT Music. A miudeza da gravadora não precisa afugentar: descobri o álbum, via Spotify.

Nos idos dos 80’s, ainda adolescentes ou com meros vinte e poucos anos, cantávamos com Kylie Minogue sobre os “old days/remember the O’Jays”. Era puro boca para fora, porque tanto nós, quanto ela, não vivêramos a época idealizada pela letra dos então já velhuscos Stock, Aitken and Waterman. Agora chegou nossa vez e de Jaki Graham, de rememorar o tempo da juventude há tanto para trás. As 14 faixas são totalmente oitentistas, felizmente sem os excessos de bateria eletrônica e tecladeira que deixam tão datado tanto do de então.

E é esse saudosismo oitentista que entrega a maior delícia do álbum: o irremediavelmente dançante disco-funk Get It Right. A letra fala sobre retornar aos bons tempos do decênio, quando todas canções eram tão maravilhosas. “Do you remember? I remember.” Outra faixa que celebra a década e voltar a festar é o charm All Night Long (1985).

When a Woman Loves remete o tempo todo a tempos há muito escorridos. É o electrosoul midtempo da faixa-título; são os urban souls de News For You e Stop the Ride (super Steve Wonder fase 80s, com gaita e tudo); ou as baladas, como Through the Rain, Someone Like You, Song For Me e Ready For Love. O álbum é tão encharcado do espírito do auge de Jaki, que Leftover Tears soa como os anos oitenta faziam música inspirada no soul deslizante do final dos 60’s. Tem pop soul dançável, como Sometimes e R’n’B domesticado, como em Eye To Eye e sua guitarrinha blues.

Muito bem cantado e produzido, When a Woman Loves não revolverá a carreira de Jaki Graham, mas agradará em cheio quem jamais superará a magia dos anos 80.

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