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Resenha: Act III: Life and Death (2009)

Álbum de The Dear Hunter

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Maior número de narrativas, mas ainda ótimo musicalmente

Autor: Tiago Meneses

31/08/2020

A história continua e então chegamos em seu terceiro ato de um total de seis. Casey ainda segue com uma banda completa a sua disposição, embora tenha sofrido algumas mudanças em sua formação. Neste Ato III as canções são mais curtas, com a maioria tendo a sua duração entre quatro e cinco minutos. Neste álbum também existe um número maior de narrativas para retratar a história. Por conta destas músicas mais curtas, a princípio o ouvinte pode ter a falsa impressão de que há menos desenvolvimento – até que tem de fato um pouco mesmo - e acontecimentos, mas musicalmente tudo permanece em alta qualidade e liricamente – até o momento – é onde existem mais histórias pra contar, sendo inclusive cheia de reviravoltas. O nosso protagonista abandona o seu relacionamento com uma prostituta, se junta ao serviço militar e é salvo da morte. Também encontra o seu pai, descobre ter um meio-irmão que também é militar e que é justamente o soldado que o salvou. Seu meio-irmão acaba sendo morto e o seu pai não demonstra nenhum tipo de emoção e isso enfurece o personagem principal que acaba envenenando o seu pai. Após isso o personagem principal assume a identidade do seu meio-irmão, aproveitando o fato de que eles são se pareciam muito, e vai morar com a sua madrasta. Sua vida está nitidamente desmoronando e ele está em um espiral descendente. 

As canções seguem emocionantes e dramáticas – acho que até mesmo um pouco mais que nos dois discos anteriores. As harmonias são lindas, as melodias incríveis, os vocais estão ótimos como sempre, os instrumentais e os arranjos seguem excelentes, ou seja, tudo segue como estava sendo. Mas neste disco eu devo admitir que senti falta de algo, ainda que não consiga exatamente dizer do que, talvez por serem menores, as músicas não tem o tempo – pra mim – necessário para se desenvolver de forma plena. E se isso poder ser considerado uma crítica, queria defender o álbum da crítica que eu mesmo fiz, pois acho que as coisas acontecem diferente aqui devido a um número maior de história pra cobrir. Novamente as músicas mudam de um estilo para outro, e também novamente tudo acontece dentro de um grande sentimento de coesão. 

Foi depois do lançamento deste terceiro ato que a The Dear Hunter faria uma pausa na história, sendo assim, a última faixa do álbum funciona muito bem como uma construção antes deste intervalo que entrariam. Neste tempo, a banda lançaria box chamado The Color Spectrum, que consiste em uma  linda coleção de nove EPs de dez polegadas com quatro músicas em cada um deles,  baseados nas cores do arco-íris e mais o preto e o branco. Também haveria  um álbum independente antes que a história seguisse continuação. 

No fim, esta ópera-rock continua surpreendente e novamente apresenta uma música bastante progressiva e de vocais dramáticos que a valorizam mais ainda. Como eu disse, aqui em termos musicais as faixas não se desenvolvem da mesma maneira – o que não quer dizer que não tem grande qualidade -, mas como eu também disse, muito provável por conta do fato da banda ter que passar um número maior de informações em relação a história. Este foi o primeiro disco da banda que eu ouvi e que me fez ter o interesse em ir atrás dos demais, descobrindo com isso uma banda incrível e extremamente original.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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