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Resenha: Act II: The Meaning of, and All Things Regarding Ms. Leading (2007)

Álbum de The Dear Hunter

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Uma música para sempre e não apenas para o momento

Autor: Tiago Meneses

31/08/2020

Este álbum é o Ato II de uma incrível ópera-rock de seis atos. O primeiro disco da The Dera Hunter foi o prelúdio para este projeto – tendo inclusive uma duração bem menor que os demais -, sendo que agora a história continua, mas desta vez, Casey Crescenzo recrutou uma banda completa para poder ajuda-lo, o que eu achei uma ótima ideia, pois isso dá ao álbum ainda mais profundidade do que havia tido antes. Entre os músicos escalados estão dois membros da banda estadunidense de rock progressivo, Circa Survive. 

Como era de se esperar, este álbum começa exatamente de onde o último parou. No final do primeiro ato, existe uma faixa oculta que parece ser uma orquestra trabalhando em algo, e então que é cortada de forma abrupta. Na abertura deste ato é quando a banda nos prepara para uma verdadeira coleção de grandes movimentos que irão compor este ato da ópera-rock. 

Assim como aconteceu no disco anterior, novamente cada música é cheia de emoção e paixão, cheias de elementos de técnicas progressivas, executadas sempre muito bem no maior estilo ópera-rock. Embora existam sim alguns toques alternativos no álbum, isso não diminui a grandeza da música. Ainda que você tenha certa dificuldade em relação a isso, acho que é necessário entender que no fim esse toque adiciona uma profundidade que é necessária ao álbum. Em termos de produção, ela continua excelente e limpa. A música está incrível. E também há uma engenhosidade de exploração suficiente para deixar os amantes de progressivos- como eu – felizes com o resultado musical obtido.   

Em termos de variedade, existem muito mais aqui do que encontradas no primeiro álbum e isso pra mim só aumenta a grandeza da obra. Por mais que algumas pessoas possam querer compará-los com nomes como Muse e Dredg, a banda mostra-se um passo acima de qualquer um deles, tanto em continuidade quanto em desenvolvimento. Sempre existem aquelas pessoas que vão dizer que o progressivo está morto, o que eu sou obrigado a discordar, acho que talvez hoje apenas as músicas não estejam do gosto de pessoas assim, o que eu considero uma pena, pois o pensamento saudosista limita demais as pessoas. O que jamais pode ser afirmado aqui é que não se trata em boa parte de músicas progressivas. Acho que o seu flerte com a música alternativa – algo que eu não vejo como nada de errado - possa fazer com que muitos ouvintes se afastem deste disco já durante a primeira audição, algo que considero equívoco, pois se boa parte do seu som é de música progressiva, espere algum progresso, não escute apenas uma vez, dê outras chances, pois ele fica muito melhor através de repetições. 

Talvez o principal – ou mesmo único – problema do primeiro álbum foi o fato dele ser muito curto. Bom, aqui isso é compensado em grande estilo. Originalmente foram criados pouco mais de duas horas de música para o álbum, sendo depois reduzido para cerca de setenta e sete minutos para que tudo pudesse ser emitido em um único álbum, o que evitaria que o preço do disco fosse muito elevado. Este álbum está repleto de surpresas, como violinos, metais e belas harmonias. Um disco como este nunca se torna cansativo tamanho a sua variedade, além de se afastar das fórmulas pop típicas. A fórmula típica de verso, verso, refrão, quebra instrumental, verso costuma ser evitada, mas a melodia e a qualidade da música nunca ficam comprometidas. Real é que há sempre algo de intrigante e interessante em cada esquina que se dobra no álbum. 

A história, obviamente segue a do disco anterior, um menino crescendo na sua maturidade e tentando descobrir o amor e a aceitação, e tentando entender a profissão de sua mãe – que acaba falecendo na primeira parte do ato -  e em como ela se conecta a ele e qual é o seu destino e vida. Muita paixão e emoção estão novamente no álbum, assim como tem que acontecer em qualquer ópera-rock. Sempre gosto de enfatizar que Casey tem uma das vozes mais dinâmicas emocionais da música e sabe como usá-la sem abusar dela. 

Bom, estou falando de um disco que me ganhou logo na primeira audição e que sobreviveu e vai sobreviver muito bem ao teste do tempo. A música do disco parece datada? De forma alguma. Ela causa sempre o mesmo impacto quando a escuto? Com toda a certeza. Tudo fica aparente na primeira audição ou fica melhor a cada vez que ouvimos? Sempre melhor, bem melhor a cada vez que se ouve o disco, onde pode haver novas descobertas a cada nova audição. Isso sim é verdadeiros testes de boa música. Não se trata de música feita do dia para a noite, é um trabalho bastante cuidadoso, desenvolvido e aperfeiçoado em uma forma composicional e não em um estilo raso de música pop. Uma música para sempre e não apenas para o momento.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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