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Álbum de The Dear Hunter

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Um álbum cheio de emoção e paixão que o recheia por completo

Autor: Tiago Meneses

31/08/2020

Originalmente a ideia era que este álbum fosse um EP, mas acabou sendo um disco comum e o primeiro oficial da The Dear Hunter. Ainda que estejamos diante de um disco com apenas pouco mais de trinta e oito minutos, ele parece bastante completo, principalmente devido a sua música progressiva cheia de emoção e paixão que o recheia por toda a parte. 

The Dear Hunter possui a sua música basicamente criada por uma única pessoa, Casey Crescenzo, tendo a ajuda de Neal Crescenzo na bateria. Casey antes era integrante de uma banda de punk rock que fez a transição para o rock progressivo em grande estilo desde o início. Este álbum como o nome sugere, marca o ponto de partida (ou Ato I) de uma ópera-rock de seis atos. É basicamente a vida de uma pessoa específica, desde o seu nascimento até a morte. Os demais atos já são discos mais longos, neste primeiro ato trata-se do nascimento e infância do protagonista. Vale ressaltar também que outros álbuns foram lançados no meio, tendo, por exemplo, após o terceiro ato, um disco chamado Colour Spectrum, onde quatro músicas foram escritas para cada cor do arco íris com a adição do branco e preto. Apenas um exemplo da imaginação de Casey e o quanto são grandes e viajantes suas ideias. 

Se existe algo de que este álbum não carece é de criatividade, como é incrível a sua progressividade. Por mais que estejamos diante de um álbum curto, há um grande impacto na sua música, tanto que ao terminar de ouvi-lo, vai parecer que se passou uma hora ou mais de música. E que fique claro que isso acontece não necessariamente por conta das músicas estarem bem embaladas e apertadas, todas tem seu espaço para espirar e se desenvolver muito bem. Não é muito fácil acreditar que estamos diante de um álbum de estreia, pois ele é tão bem escrito e produzido – algo que vem acontecendo à anos. As duas primeiras músicas do álbum são curtas, como se fossem uma espécie de prefácio para a história, sendo a primeira, executada à capela com algumas harmonias incríveis, enquanto que a segunda é uma instrumental curta. Depois disso, às próximas cinco faixas, todas tem cerca de seis a sete minutos cada – e a última tem apenas quatro. A voz de Casey é bastante poderosa e também dramática, algo que funciona extremamente bem para uma ópera-rock. Logo em seu primeiro ato, Casey deixa claro que este não se trata de um projeto piegas, muito pelo contrário. Com uma voz com alto nível de dramaticidade e poder, não foi preciso procurar fora aquilo que ele tinha literalmente dentro dele. Eu costumo dizer que a música aqui soa mais ou menos como eu gostaria que o Muse fosse, consistentemente pesado e alinhado com uma precisão musical onde não existe nenhum pouco de preenchimento, tudo se faz necessário. 

Resumindo, eu indicaria este disco pra qualquer pessoa, tenho certeza que ele acabaria agradando a maioria delas. Impressionante como The Dear Hunter se aventura em tantas direções e não têm medo de experimentar dinâmicas e variedade, obtendo êxito quase sempre todas às vezes.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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