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Álbum de The Moody Blues

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Uma experiência única no prog

Por: José Esteves

29/08/2020

Para todos os efeitos e circunstâncias, o álbum debut foi um fracasso tanto crítico quanto financeiro. Após uma mudança na composição da banda (sai Clint Warwick no baixo e entra John Lodge, antigo amigo e membro da ideia original, e sai Denny Laine do vocal e guitarra e entra Justin Hayward), a banda é convidada a fazer uma versão rock da Sinfonia do Novo Mundo de Dvorak para pagar a dívida na nova divisão da Decca. Apesar de debatível se em algum momento a banda considerou seguir o projeto a risca, fato é que o grupo decidiu um ângulo mais clássico, misturando rock progressivo com a música erudita da London Festival Orchestra. Apesar de ter tido uma recepção morna, lentamente foi ganhando fama e se tornou um momento importante do rock progressivo, alcançando certificação platina.

O disco é obviamente conceitual, fazendo pouco para esconder a premissa de “um dia na vida de alguém comum”, com o tempo passando em cada faixa. O vocal de Justin Hayward funciona incrivelmente bem no novo formato da banda e apesar da banda estar sendo apoiada por uma incrível orquestra (que lembra muito aqueles desenhos animados antigos do Chuck Jones), nos momentos em que o rock é necessário, a música apresenta qualidade e inovação únicos para o momento da música em que se vivia. Talvez pouco seja exigido da banda nuclear, mas não muda o fato de que o disco é uma experiência incrível e única, que nunca mais foi repetida.

Apesar de cada faixa representar um momento do dia de uma pessoa qualquer, as faixas emulam algo operático, tendo uma primeira música que é uma junção de um resumo de cada faixa que seguirá (“The Day Begins”), para depois apresentar cada momento. As diferenças de cada faixa são mais do que líricas, apresentando conceitos temáticos que simbolizam perfeitamente cada momento, desde a festiva e praieira “Lunch Break: Peek Hour” que trata com leveza uma pausa no meio da labuta até a noite, “The Night: Nights in White Satin”, triste e melancólica, comparando o véu da noite com um lençol diferente de vários relacionamentos fracassados.

A melhor música do disco é o nascer do sol, “Dawn: Dawn is a Feeling”, dramática e épica mostrando todo o alcance do novo vocalista em criar uma sensação de renascimento, misturado com um piano que sabe exatamente o que tem de ser feito. A música não é das mais felizes, mas cria o ambiente perfeito para o resto do álbum florescer conceitualmente, um tour-de-force que demonstra o que exatamente é o nascer do sol, tanto em potência quanto em profundidade.

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