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Resenha: Red (1974)

Álbum de King Crimson

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Momentos de grande inspiração musical

Por: Vitor Sobreira

28/08/2020

Referência em se tratando de Rock Progressivo, suas cinco décadas dedicadas à boa música não deixam dúvidas da sua importância para o mundo do Rock. Sim, estou falando do King Crimson!

Criada em 1969 pelos músicos ingleses Robert Fripp e Michael Giles, a banda chegava em 1974 com o seu sétimo álbum de estúdio ‘Red’. Lançado em outubro daquele ano (o mesmo ano que viu lançamentos de nomes importantes como Lynnyrd Skynyrd, Queen, Kiss, Judas Priest, Blue Oyster Cult, Frank Zappa, Deep Purple, UFO e outros) pela Island Records no Reino Unido e pela Atlantic nos EUA e Japão, o trabalho alcançou a colocação 66 no chart Billboard 200 e é facilmente um dos discos mais aclamados da banda.

O play é dado e damos de cara com a faixa título “Red”, uma peça instrumental de clima tenso e autoria do guitarrista Robert Fripp (a única exclusivamente dele, nesse álbum). A faixa não apresenta muitas variações, mas serve como introdução ao trabalho (ainda que passe um pouco dos 6 minutos de duração). Na seguinte “Fallen Angel”, podemos ouvir os vocais de John Wetton (que entre outras bandas, formaria o Asia anos depois), assim como interessantes e bem inseridas melodias de instrumentos diferentes, como saxofone, oboé e violino, que criaram uma sintonia bem bacana com o instrumental principal.

“One More Red Nightmare” surpreende pela maior variedade em seus 7 minutos, com destaque para as levadas elaboradas do baterista Bill Bruford – um dos grandes nomes em se tratando do instrumento -, que chamam a atenção de longe. Se na faixa anterior os outros instrumentos não demoraram a aparecer, aqui guardam o melhor para os instantes finais, garantindo momentos de pura inspiração.

Ao que tudo indica, as coisas estavam correndo bem, na medida do possível, até que se inicia “Providence”. A viagem musical foi tanta, que para o ouvinte desabituado com “imbróglios” Progressivos, é difícil aturar os 4 minutos iniciais. Ignorância? Não. Falta de paciência mesmo! Contudo, as coisas tendem a melhorar a partir dos 5 minutos e desta vez destaco a guitarra do manda-chuva (não que não tenha se destacado antes, claro, mas nessa altura do texto e da composição, essa observação careceu de ser feita).

Se estamos falando em Progressivo, naturalmente não se pode esquecer das suas longas composições. Mas, a maior de todas foi designada ao encerramento. Sim, estou falando de “Starless” e sua humilde “uma dúzia” de minutos. John Wetton novamente dá o ar da graça com sua voz, e mesmo que em uma vocalização simples, demonstrou tamanha emoção, acompanhado por um instrumental mais delicado e menos mirabolante (ou esquizofrênico, se lhe soar melhor). Entre altos e baixos – muito comum em uma composição desse tamanho, não entrem em pânico! – um saxofone bastante invocado chega para dar aquela levantada no astral, que se estende com bastante êxito até o final! O que nos leva a crer que às vezes menos é mais – aqui, no sentido da duração da composição.

Sem mais nada a declarar, porém antes de bater o ponto final, apenas digo que você também ouça este trabalho, pois certamente irá se deparar com momentos de grande inspiração musical.

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