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Resenha: Twang Bar King (1983)

Álbum de Adrian Belew

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No fim, é um bom álbum com algumas faixas ótimas

Por: Tiago Meneses

28/08/2020

Twang Bar King é o segundo álbum solo de Adrian Belew, sendo lançado no ano de 1983. Quando foi gravado, Andrian estava trabalhando também como membro do King Crimson, mais precisamente entre o lançamento de Beat e Three of a Perfect Pair. A banda que o acompanha é a GaGa, banda que ele liderou no fim dos anos setenta e começo dos anos oitenta, além da inclusão do baterista  Larrie Londin – que fazia parte da TCB band e acompanhou Elvis durante muito tempo de sua carreira. 

“I’m Down” é a faixa que começa o disco, trata-se de um cover dos Beatles. Belew dá um tratamento à música semelhante ao encontrado na original, bastante rock and roll,  adicionando a sua voz única e guitarra estridente nas pausas instrumentais à medida que se apresenta um som experimental. Na parte final, nota-se um grande esforço de Adrian em chegar nas partes mais altas. 

“I Wonder” traz o músico para o direcionamento de seus estilos e sons característicos. A música possui uma batida bastante direta, mas tendo como companhia alguns sons de guitarra sempre peculiares – ligeiramente estranhos se preferir chamar assim. Desempenhos assim que ajudou a Adrian se tornar um guitarrista bastante respeitado no meio, além de sempre funcionar muito bem com a peculiaridade de Robert Fripp. 

“Life Without A Cage” é mais suave e traz com ela uma batida meio funky. A forma como Belew utiliza os instrumentos de sopro na música é muito eficaz – assim como em todo o álbum -, fazendo com que a música de certa forma se aventure por territórios mais vanguardistas, mas sem perder o seu lado sensato da normalidade. No final possui uma pausa instrumental bem legal. “Sexy Rhino” possui pouco menos de quarenta segundos. Acho ela bastante boba, parecendo estar satirizando Barry White com alguns efeitos que se ligam ao seu álbum de estreia. “Twang Bar King” é outra faixa curta com pouco menos de um minuto e meio. O território explorado aqui é o do punk e alguns efeitos instrumentais malucos. 

“Another Time” coloca novamente o som do disco em algo mais acessível, podendo ter sido usada inclusive como single na época, pois o seu toque é bastante amigável e exatamente do jeito que as rádios gostam. “The Rail Song” em seu primeiro minuto contém vários sons e feitos que simulam trens. Depois segue com uma batida de ritmo médio enquanto que a guitarra de Belew ecoa o som de um trem antes dele cantar uma letra bastante emocional. Não se trata exatamente de uma música inovadora, progressiva em seus aspectos mais complexos, mas não é um padrão direto de som e definitivamente é bem sincera. 

“Paint The Road ” é uma música instrumental em que Belew utiliza muito bem a sua Midi Guitar em um ritmo musical alucinante e psicótico. A melodia tocada pelo sax é bastante fora do comum, enquanto que o ritmo da música permanece louco. Esta faixa é daquelas em que as habilidades de Belew como compositor são bem evidentes. 

“She Is Not Dead” é uma música que a princípio eu achei meio estranha, pois ela é uma versão ao contrário da faixa de “Hot Sun” do disco Lone Rhino –, enquanto que Belew canta uma música diferente lamentando a perda de um ente querido por cima dela. Ela combina a melodia da música com a melodia reversa e funciona muito bem – ainda que eu deva admitir que possa soar meio estranho para algumas pessoas, porém, falamos de Adrian Belew e certas estranhezas fazem parte. 

“Fish Head” é uma música mais animada e de toque cativante. Possui outros vocalistas - Christy Bley e William Jansen – onde todos acrescentam um tempero a mais e necessário à música, tendo em vista que parece uma história que está sendo contada. “The Ideal Woman” também inclui outros membros da banda nos vocais, desta vez falando sobre o que é a mulher ideal, enquanto que Belew canta sobre ela. Tirando alguns bons efeitos de guitarra, acho essa faixa bem fraca. A última faixa do disco é “Ballet For A Blue Whale”, possui alguns efeitos sonoros de baleia subjacentes a diferentes estilos de guitarra em um instrumental melódico e pensativo. Uma boa maneira de encerrar o disco. 

Assim como havia acontecido em Lone Rhino – seu disco de estreia -, Belew mostra toda a sua versatilidade e estilo único de tocar guitarra. Sou da opinião de que o músico se sai melhor quando não se esforça para soar comercial, tanto que os momentos comerciais do disco são também os mais fracos. Quando ele deixa toda a sua engenhosidade trabalhar, ele prova o quanto pode ser considerado um músico inovador. Existe neste álbum uma versatilidade a ponto de qualquer pessoa gostar de algum dos seus momentos – ou mais de um -, mas não é fácil achar alguém que vá gostar do disco por inteiro. No fim, é um bom álbum com algumas faixas ótimas.

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