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Resenha: Abbey Road (1969)

Álbum de The Beatles

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A despedida quase infalível da banda mais influenciadora de todos os tempos

Por: José Esteves

28/08/2020

Após nove anos de sucesso absoluto, havia insatisfação entre os membros e, apesar de já ter tido boatos de que a banda ia se dissolver em 1966, pairava no ar um maior clima de conflito. Depois das tensas sessões Get Back (que resultariam no lançamento do disco Let it Be no ano seguinte), o compromisso foi que o disco seria gravado como era antigamente, com disciplina e um certo ar de autoridade dado ao produtor, George Martin. Esse foi o último álbum gravado pelos Beatles, e apesar das críticas contemporâneas terem sido mistas e frias, o disco hoje em dia é considerado um dos melhores álbuns de todos os tempos, recebendo 12 discos de platina além de figurar em 14º na lista da Rolling Stones de melhores discos de todos os tempos.

A primeira coisa que você nota no disco em questão é o quão individual cada música é: se tinha alguma dúvida se as brigas e discussões iam aparecer no lado artístico da coisa, essas dúvidas se dissipam na quarta ou quinta faixa. Cada música é obviamente de um deles, trabalhando quase que individualmente na composição. Isso não funciona a favor do disco, mas mostra claramente o quanto cada um deles funciona individualmente, mesmo brigados uns com os outros.

Mesmo com esse problema conceitual quanto ao disco, individualmente, cada música dele faz parte do panteão das melhores músicas dos Beatles. Temos o George Harrison no seu melhor (“Something” e “Here Comes the Sun”), temos John Lennon no seu mais ácido (“Come Together” e “I Want You (She’s So Heavy)”) e temos Paul McCartney no seu mais melódico (o medley que começa em “You Never Give Me Your Money” e fecha o disco). Até o Ringo Starr, que brilha na bateria de todas as músicas (principalmente em “Come Together”, um riff que leva a música toda, mais que qualquer outro instrumento) tem uma chance de mostrar as bobeiras dele (“Octopus’s Garden”). É um disco com pouquíssimas falhas, talvez pelo fato de que eles querem se mostrar melhores do que os outros da banda.

A melhor música do disco é “Something”, uma das músicas mais românticas já gravadas pela espécie humana levadas pelo vocal e guitarra de George Harrison. A simplicidade dela é de tirar o fôlego, a compactação da ponte e o gancho dela para o solo são incríveis, é um dos pontos mais altos da carreira dos Beatles e só o riff do começo te arremessa na música com uma força inédita.

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