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Resenha: Sunsets Of Empire (1997)

Álbum de Fish

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Parceria de Fish com Steve Wilson cria um álbum com múltiplas texturas

Por: Márcio Chagas

27/08/2020

Como fã do Marillion, principalmente da primeira fase, sempre acompanhei de perto a carreira solo do seu primeiro vocalista Fish. O músico estreou em carreira solo com o excelente Vigil In A Wilderness Of Mirrors seguido pelo ótimo Internal Exile no ano seguinte. O grandalhão ainda colocou no mercado na mesma época, uma série de CD´s duplos semi-piratas gravados ao vivo com qualidade discutível e repertorio similar, não acrescentando em nada sua carreira.

Após um bom disco de covers, Fish grava “Suits”, um álbum com sonoridade mais acessível, o que desagradou bastante seus fãs mais antigos. Porém no inicio de 1997 o vocalista se aliou a Steve Wilson, compositor, guitarrista, vocalista e líder do mítico  Porcupine Tree, uma das maiores bandas progressivas da época;

Wilson assumiu a produção e direção musical do álbum, compôs seis das dez faixas ao lado do vocalista e tocou em oito, alternando entre guitarra rítmica, solo, teclados e samplers. Todo esse envolvimento deu a música de Fish uma conotação mais progressiva e porque não dizer atual, revitalizando a carreira do músico;

O vocalista continua mandando bem nas letras, escrevendo sobre política, religião e a sociedade moderna de um modo geral, com um estilo muito próprio e dando ênfase ao seu estilo passional de interpretar as canções.

Além de Steve, Fish manteve os guitarristas de longa data Robin Boult e Frank Usher, sendo que este último colabora também como compositor. E ainda merece menção o tecladista escocês Foss Patterson, famoso por seu trabalho com Camel e Jethro Tull, que soube inserir camadas de teclados e hammonds de acordo com o que pede cada canção e o baterista Dave Stewart, que também integrava as fileiras do Camel. 

Ao todo, foram mais de quinze músicos envolvidos diretamente nas gravações, contribuindo para o resultado final do álbum. Sunsets on Empire, tem grandes temas progressivos como a faixa de abertura “The Perception of Johnny Punter”, com mais de oito minutos, que chega a flertar com o som pesado, principalmente pelas guitarras sujas e pesadas, cortesia de Wilson e Usher; A climática “Goldfish and Clows”, com sua serenidade inicial e sua mudança brusca de andamento e o solo passional de Wilson;

Merecem ainda destaque a faixa título, que se inicia com vocais quase sussurrantes de Fish e vai crescendo a medida que se  desenvolve; e ainda “What Colour is God?” uma canção muito parecida com que o Porcupine faria a partir de “Stupid Dream” ou “In Absentia”

Há canções acessíveis como a bela balada “Tara”, parceria de Fish com Patterson e a quase pop “Brother 52”, primeiro single do álbum. Mas são temas bem construídos que não chegam a atrapalhar o desenvolvimento do disco como um todo;

Após o lançamento do disco, Fish saiu em uma turnê priorizando principalmente o norte da Europa. As apresentações renderam o DVD “Sunsets on Empire – Live in Poland 1997”, outro excelente item para quem gosta da carreira solo do vocalista.

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