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Resenha: Shades Of Deep Purple (1968)

Álbum de Deep Purple

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A estreia do Purple

Autor: José Esteves

27/08/2020

Por ser o disco debut, é meio díficil posicionar em que situação a banda se encontrava musicalmente. O que sabemos é que Chris Curtis (baterista do The Searchers) criou um conceito de uma banda com ele como elemento básico e um elenco rotativo de membros, explicando o nome da banda no momento, Roundabout. O primeiro a ser convidado foi Jon Lord, organista clássico dos Artwoods, que conhecia Nick Simper, baixista do The Flower Pot Man (banda essa que Jon Lord também tocava), que sugeriu Ritchie Blackmore, guitarrista de sessão. Por causa do uso excessivo de LSD, Chris Curtis perdeu interesse na banda e foi, ironicamente, o primeiro a ser excluído, o que causou a busca por um baterista. Na busca de um vocalista, encontraram Rod Evans, do Maze, que trouxe um baterista consigo, Ian Paice. Em abril decidem o nome novo, homenageando a música preferida da avó de Blackmore, e em maio gravam o primeiro disco da banda. O disco não obteve sucesso na Inglaterra, mas alcançou o quarto lugar das paradas americanas, futuramente vendendo um milhão de cópias no mundo inteiro.

Pelo caos da criação e pelo pouco tempo de gravação desse álbum, esse disco era pra ser um caos pouco produzido. O que nós temos, no lugar disso, é uma compilação de covers e originais com o melhor que o pré-hard rock da década de 60 tinha a oferecer. Mas acima de tudo, é necessário reconhecer: o entrosamento de Jon Lord e Ian Paice, que se conheciam a pouco tempo e iam ser a força motriz do Deep Purple até a morte do tecladista, se demonstra claramente desde o início. Os outros integrantes da banda são de muita qualidade: Nick Simper, o baixista, é muito competente, e o Richie Blackmore, que não é muito acionado no álbum como um solista, sabe dar os toques necessário para fazer uma experiência bem melhor. Talvez Rod Evans não seja o melhor vocalista que o Deep Purple jamais teria, mas definitivamente faz o seu papel muito bem.

Existem exatas quatro originais e quatro covers. As originais variam de instrumentais psicodélicos com baterias de ponta (“And the Address”) até baladas pop pouco criativas que lembram muito os Beatles pré Sgt. Pepper’s (“Love Help Me”). Os covers variam de pouca mudança mas mantendo a qualidade da original (“Hush”, que só de adicionar o teclado do Jon Lord alça novas alturas) até versões letárgicas e sem personalidade mudando completamente a base (a pior versão de “Help!” que eu acho que teremos e uma versão de “Hey Joe” que rouba diretamente de música clássica). No geral, as que tentam ser mais blues e hard rock funcionam bem melhor do que as que tentam ser mais lentas.

A melhor música do disco é a última do lado A, “Mandrake Root”. O começo da música é um hard rock bem ácido com uma pegada bem blues e é, inclusive, a melhor música que o Rod Evans canta no disco todo. No meio, tem uma ponte de teclado e bateria que simplesmente decola a música, e subitamente todos os membros começam a fazer o que parece ser uma jam session da melhor qualidade, fazendo você se perder nesse solo interminável que vai se acrescentando e acrescentando até o final.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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