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Resenha: Whoosh! (2020)

Álbum de Deep Purple

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A "sequência" melhorada de Infinite

Autor: Marcel Z. Dio

21/08/2020

Eis que o Deep Purple resolve adiar a aposentadoria e lançar Woosh!, o seu vigésimo primeiro álbum de estúdio; já que o mundo pensou Infinite como o "gran finale". Desse modo, e, para nossa alegria, não deram trégua, mesmo que os recentes trabalhos tenham um espaço médio de quatro a cinco anos entre si, feito louvável para quem tem mais de cinquenta anos de serviços prestados.
Whoosh ! foi planejado para ser divulgado antes e devido a pandemia, arrastou-se até 7 de agosto. Novamente com produção a cargo de Bob Ezrin.

É importante ressaltar que as grandes surpresas quanto a banda, são algo de um passado distante, pois esse é um segmento de Infinite, melhorado em relação ao irmão mais "velho". 
No comparativo entre os discos da era Steve Morse, o novo trabalho mete-se em algo mais moderno, ao tempo em que a evolução de Don Airey se dá a cada lançamento, sobrepondo-se aos outros membros. Pontuo também que Ian Paice está mais linear em suas linhas, até por sua idade e condição recente de saúde, o que não descarta sua forma singular de tocar.
Roger Glover aparece mais, com graves menos dobrados, deixando espaço para o contraponto.
Ian Gillan mantem sempre a modulação em terceira marcha, irritando com a voz processada na impressão de um efeito robótico. Pode não ser culpa sua, porem, é latente que os truques de estúdios estão ali.
Contudo, entre revezes e elogios dos críticos, Woosh! consegue empatar com Now What?! e superar álbuns como Rapture of the Deep, Infinite e Abandon - se bem que superar esse último, não é lá grande feito.

Em Woosh! temos um pouco de tudo, emaranhado no que a banda se mete a fazer a algum tempo, o blues rock com toques modernos e até com um pezinho no prog. O que deve ser levado em conta é que não é um disco para primeira audição, e sim na conferencia do pouco a pouco. 

Nothing At All é uma das minhas preferidas, pelo lado progressivo / barroco dos teclados. Quando comento sobre a soberania de Don Airey, não estou brincando !, hoje, diria que é a arma principal da banda.

No Need To Shout tem começo similar a Perfect Strangers, após, muda num piscar de olhos, entrando na vibe riffeira de Ted the Mechanic (Perpendicular).

Step By Step também vale a escuta detalhada. Gosto de seus refrães. Ressaltando mais uma vez o valor magnifico das teclas.
No oposto, temos o rockão de What The What com o duelo sempre interessante entre guitarra e teclados.

Deixo The Power Of The Moon como outra boa melodia, de solo maravilhoso a competência de Steve Morse.

Remisson memora os tempos de The Book of Taliesyn, calando a boca (inclusive a minha) de quem diz que eles perderam de vez magia do passado. Como curta instrumental, se une dando passagem a grandiosidade dos riffs de Man Alive, uma das primeiras lançadas na divulgação de Woosh!, cujo a letra, fala sobre os efeitos da ganancia humana sobre a mãe natureza, refletida se assim quiser, na imagem da capa, com o "astronauta" desintegrando-se.

A instrumental And The Address é parte do debut lançado em 1968, agora, transformada em interessante releitura. Valendo-se para traçar um paralelo entre a pré história e o tempo atual do Deep Purple.

Encerro dizendo: o Deep Purple merece os louros que tem, independente do auge criativo ter se dado na década de setenta. Respondo também a pergunta que vi numa enquete do Facebook - Vale a pena ter o material em CD? - Sim, vale!.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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