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Resenha: Panther (2020)

Álbum de Pain Of Salvation

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Sincero, introspectivo e poderoso

Por: Tiago Meneses

20/08/2020

Então que um dos nomes de mais relevância da cena do metal progressivo, Pain of Salvation, está de volta através de Panther, seu décimo primeiro disco de estúdio, marcando também o retorno muito bem vindo do guitarrista John Hallgre, que já tem uma grande contribuição para os primeiros discos do grupo – inclusive os que podemos considerar como os seus melhores e mais aclamados álbuns. Em relação à Panther, tiramos o óbvio como conclusão, ou seja, vale a pena tomar qualquer nota quando falamos de um lançamento da banda.

Mesmo que não seja nenhuma novidade em se tratando da banda, vale mencionar que Panther é um disco conceitual. Dando uma avaliada rápida, o fio condutor concentra-se nos habitantes de uma cidade habitada por cães e panteras, sendo que os cães representam a parte das pessoas “normais”, enquanto que as panteras são os “estranhos”. Sinceramente, o disco ganha muito mais o ouvinte pela música do que pelo seu conceito em si. Parece de certa forma apenas mais uma maneira para bombear os egos frágeis de pessoas que pensam que são incrivelmente únicos por enxergarem o mundo de algumas formas um pouco diferentes ou algo assim. 

“Accelerator” é a faixa que dá início ao disco e que também foi o primeiro single lançado. Tem um início até mesmo surpreendente, uma sonoridade que eu não esperava e que foge de qualquer início de discos anteriores, mas logo fui sendo abraçado pelo seu som conforme ela se desenvolvia. A entrega extremamente emocional dos vocais de Daniel Gildenlöw confirma apenas aquilo que hoje não é mais novidade pra ninguém, que ele é um dos melhores do gênero. 

“Unfuture” é onde a banda logo no começo já quer deixar evidente algo na veia clássica da banda. Um breve começo acústico que é logo seguido de uma sonoridade poderosa por parte de todos os instrumentos, a banda soando em sua abordagem única dentro do gênero. O seu andamento e sonoridade pode ser classificado como uma ameaça que paira sobre a cabeça do ouvinte e que a qualquer momento pode explodir. 

“Restless Boy” começa com algumas camadas de sintetizadores e um groove que é incrível e ao mesmo tempo nada convencional. Tem alguns momentos que inclusive dão vontade de bater cabeça. A música é muito boa como um todo, mas mais do que isso, pode ser vista principalmente como uma vitrine para que o baterista Leo Margarit apareça com mais clareza e mostre sua técnica, principalmente quando ele muda de um groove bastante sincopado para uma linha mais violenta comparável ao Meshuggah. 

“Wait” é daquele tipo de som que nos seus primeiros segundos, de alguma maneira já acena pra mim para que eu o enxergue como um dos meus momentos preferidos do álbum. Para qualquer fã de longa data de Pain of Salvattion, essa faixa parece muito familiar. Antes de continuar, é fato que algumas pessoas têm problema em aceitar o autotune, e estou dizendo isso por conta do uso de Daniel na música, mas acho que se usado de maneira correta e bom gosto, pode ser apenas um efeito vocal e não uma medida corretiva para a voz – motivo pelo qual tantas pessoas não gostam. A música no seu decorrer é trabalhada em uma atmosfera impaciente, inquieta e melancólica, sempre bem direcionada. Eu como sou apaixonado por refrãos que me cativam, não poderia estar mais satisfeito com suas lindas harmonias e melodias que grudam facilmente na cabeça. Uma música dolorosamente melancólica e linda. 

“Keen to a Fault” já impressiona em seus primeiros segundos através de uma seção rítmica fascinante, um trabalho de teclado bem cadenciado, um ótimo riff acústico, uma linha de baixo bastante sólida e uma bateria complexa. No decorrer fica menos frenética, mas sem perder o seu espirito.

“Fur” é a faixa mais curta do disco, com pouco mais de um minuto e meio. Mas embora seja curta é uma bela peça instrumental. Sinto a impressão de já ter escutado algo parecido, mas não consegui lembrar onde. 

“Panther” é a faixa do disco que mais contém potencial para causar uma divisão entre os que irão gostar e os que não irão. Talvez não seja de fato um dos melhores momentos musicais do disco, porém, me parece fornecer o contexto necessário para a narrativa. Tem uma produção meio nu-metal que também não agrada instantaneamente. Confesso que estou escrevendo esta resenha após três audições, não agradou tanto ainda, mas momentos menos inspirados como este ainda podem crescer em mim com o tempo. 

“Species” começa com alguns dedilhados bastante leves e bonitos ao longo de uma ótima melodia vocal. Próximo da metade da faixa, todos os demais instrumentos se juntam trazendo uns riffs pesados e harmonia exótica. Como parece ser uma música sobre raiva e revolta, os vocais muito bem encaixados por Daniel faz toda uma diferença para que seja notado não apenas beleza, mas verdade em toda a música. 

“Icon” é a música mais longa do disco com cerca de treze minutos e também a que o encerra. Começa através de um piano melancólico, mas logo há uma transição para umas cordas pesadas e estáticas de notas alternadas, e que não é fácil entender bem a ideia na primeira audição. Por ser uma canção mais longa, obviamente ela explora muitos territórios diferentes, sendo um destes territórios, uma balada que se encontra mais ou menos no meio e que é tocante e serve como transição para um solo de guitarra simplesmente arrasador. No fim das contas, com “Icon”, o disco é encerrado de uma maneira bastante sombria e contemplativa, ou seja, uma maneira que não poderia ser melhor. 

Se você gosta de Pain of Salvation não creio que tenha do que reclamar deste disco, pois ele entrega tudo aquilo o que podemos esperar da banda, no caso, uma nova caixinhas de surpresa onde dentro contém excelentes faixas. Em três palavras podemos defini-lo muito bem: sincero, introspectivo e poderoso.

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