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Resenha: Goodnight Vienna (1974)

Álbum de Ringo Starr

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Faltou poder de fogo

Por: André Luiz Paiz

19/08/2020

O quarto álbum solo de Ringo Starr foi gravado no verão de 1974 e sob uma certa pressão por conta da excelente repercussão do disco anterior. Apesar de contar com muitos dos músicos que atuaram em "Ringo", como Billy Preston, Klaus Voormann, Robbie Robertson, Harry Nilsson, e o produtor Richard Perry, faltou um pouco de suporte na composição do material, deixando bem a desejar.

Enquanto os três ex-Beatles participaram das composições de "Ringo", apenas John Lennon conseguiu contribuir neste disco. Como trabalhava nas sessões de "Walls And Bridges", aproveitou para registrar a faixa que acabou sendo também o título do disco, e a melhor dele: "Goodnight Vienna". Enérgica, conduzida pelo piano em um riff pegajoso e cativante, o tema é tão legal que foi usado para abrir e fechar o álbum. Infelizmente, tirando esta faixa, temos que garimpar as demais.

"Occapella" foi composta por Allen Toussaint e soa como um R&B divertido, que combina com o timbre grave de Ringo. Depois Ringo tenta o mesmo caminho em "Oo-Wee", composição sua com Poncia e que acaba não agradando. Gostei do resultado de "Husbands and Wives", uma baladinha bem suave de Roger Miller e que soa no clima de "Good Night", dos Beatles. E o lado A fecha com uma composição de Elton John e seu parceiro Bernie Taupin: "Snookeroo". Elton também toca na faixa e o resultado é legal, mas não surpreendente. Ela se resume em um rock com metais e clima feliz, mas muito longe das grandes composições da dupla.
O lado B começa com duas faixas que mostram a dedicação de Ringo em tentar compor, mas também destacam sua dificuldade. "All by Myself" e "Call Me" pouco acrescentam. "No No Song" foi composta por Hoyt Axton e David Jackson, e possui uma letra engraçadinha que fala sobre drogas, álcool, etc., mas acaba soando meio brega. A faixa tem uma levada dançante, bem pop e com instrumental competente. Curiosamente, Raul Seixas gravou uma versão para esta faixa, com nome "Não Quero Mais Andar na Contra-mão".
Seguindo adiante, John Lennon sugeriu a Ringo que gravasse um cover para "Only You" do The Platters, talvez em uma tentativa de fortalecer o álbum, mas eu não achei que funcionou. Por fim, antes do encerramento com "Goodnight Vienna" temos uma faixa de Harry Nilsson: "Easy for Me", uma balada bem densa com clima de música clássica. É uma boa composição, mas também não deu liga.

Na versão em CD, esse disco trouxe a ótima "Back Off Boogaloo", composição de Ringo e que deveria ter entrado no álbum. Esse costume de extrair uma faixa para lançar apenas em single era bem comum na época, já que as pessoas compravam o single e o álbum. A faixa é enérgica, um rock denso com excelente pegada de bateria e refrão para cantar junto. Uma faixa muito boa e que muito tempo depois foi revelado que ela foi composta em parceria com George Harrison, embora não tenha sido creditado na época. O ex-Beatle também toca na faixa. A canção foi regravada por Ringo em outros álbuns e já chegou a ser cogitada como um ataque a Paul McCartney, mas negado pelo baterista. Além dela, temos a fraquinha "Blindman", de Ringo, e uma versão estendida da bela balada de Paul McCartney gravada por Ringo no álbum anterior: "Six O'Clock". Ela traz um final mais longo, com participação maior de Paul e Linda nos vocais. Muito legal!

Um álbum que não cativa como o anterior e acaba sendo de certa forma decepcionante. Percebendo isso, Ringo depois lançaria uma coletânea chamada "Blast From Your Past", talvez para esperar um encaixe na agenda dos seus ex-colegas de banda, trazendo-os de volta em "Ringo's Rotogravure".

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