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Resenha: Hunting High and Low (1985)

Álbum de A-HA

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Obra-prima Synthpop

Por: Roberto Rillo Bíscaro

07/12/2017

Em 1985, a escandinava Noruega passou a constar na cartografia da música pop, graças ao trio A-Ha. Morten Harket, Pal Waaktaar e Magne Foruhomen venderam mais de 10 milhões de cópias de seu álbum de estreia, Hunting High and Low. 5, de suas 10 faixas escalaram as paradas. O inovador vídeo de Take On Me, com sua mistura de animação e cenas reais, garantiu alta rotatividade na MTV. A boa aparência dos meninos completou a receita do sucesso global.

O álbum é uma pérola do eletropop comercial. O disco repousa no equilíbrio entre o drama orquestral, quase operístico de tão exagerado, e na pulsão dos teclados herdados da fase inicial da new wave, orientados para as pistas de dança. Nos momentos em que ambos os elementos se coadunam, Hunting High and Low atinge a estratosfera pop, como os vocais de Harket.

Take On Me, faixa de abertura, é clássico do synth-pop dançante da década de 80. Começa com uma percussão alegrinha, sintetizadores discretos, até que, aos 17 segundos, entra um dos riffs de teclado mais conhecidos e grudentos de uma geração. Só quem vivia embaixo de uma pedra na época não reconhece o toquinho. Outro momento alto, literalmente, é quando Morten atinge o incrível falseto.

Outras pedradas dançantes são Train of Thought e Love is Reason. Essa última evoca os primeiros álbuns do Depeche Mode, mas também indica o caminho que parte do pop inglês oitentista estava tomando com o furacão Stock, Aitken and Waterman, que, naquele ano conquistava seu primeiro ouro na parada britânica com You Spin me Round (Like a Record), do Dead Or Alive.

Em termos de canção dançante, porém, tirando Take on Me, nenhuma outra faixa obscurece The Sun Always Shines on TV. O primeiro minuto é melancólico, com teclados imitando piano e orquestração suave, até o primeiro falseto de Morten. Depois, ergue-se muralha de guitarras, sintetizadores, bateria eletrônica e vocais. Todo o drama dançante que grupos posteriores, como os Pet Shop Boys engendrariam, está codificado ali. Basta conferir a escarrada de sintetizadores que acontece aproximadamente aos 4:05 minutos, antes do berro final do vocalista. O epílogo, retorno necessário à quietude, com seus teclados em tons mais graves e sisudos, apenas reforça a exuberância e frenesi de The Sun Always Shines on TV.

No setor baladas, há a impressionante faixa-título. Violões e percussão iniciam o tom marítimo, de navegação e procura, evocado pela letra. Tem até som de gaivota. Pouco depois do gorjeio dos pássaros marinhos, a canção atinge seu ápice. Tudo se agiganta: percussão pesa, orquestração se adensa, teclados inundam a melodia, feito vagas, e o vocal de Morten, majestoso, (sing)ra o mar tempestuoso, dominando-o por completo. Até que chega o fim, calmo, como onda quebrando na praia.

Em meio à vibração dançante e ao lirismo sintetizados de Hunting High and Low há espaço para a suntuosidade midtempo de Living a Boy’s Adventure Tale, oscilando entre a delicadeza dos vocais e dos teclados, que por vezes assumem tons clássicos e a força martelada da bateria eletrônica, característica da sonoridade da década. A história de aventura do garoto da letra é composta de momentos sutis e da fortaleza urgente da juventude.

Desprestigiado e/ou ignorado por diversos críticos musicais à época de seu lançamento, Hunting High and Low merece ser reconsiderado por aquilo que é: um clássico representativo de um tipo de pop que insiste em funcionar 32 anos após seu lançamento.

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