Para os que respiram música assim como nós


Resenha: Whoosh! (2020)

Álbum de Deep Purple

Acessos: 375


Purple resgata o "Deep" e lança seu melhor álbum em 20 anos!

Autor: Márcio Chagas

08/08/2020

Os decanos do rock estão de volta. Com certo atraso devido à pandemia, o Deep Purple lança no mercado seu 21º disco de estúdio e o 5º com a MK VIII, formada por Ian Gillan, Roger Glover, Steve Morse, Don Airey e Ian Paice. 

Antes mesmo do lançamento, o grupo anunciou que pretendia trazer o Deep de volta ao Purple, ou seja: Buscar novamente a essência da banda e os elementos que caracterizam sua sonoridade. O grupo se reuniu outra vez com o lendário produtor Bob Ezrin, que soube direcionar  a criatividade do quinteto, aparando determinadas arestas e conseguindo timbres que deixassem os músicos satisfeitos e confortáveis.

O resultado é um dos melhores álbuns da banda, que desde “Purpendicular” não soava tão dinâmica e renovada. Ian Gillan não tem mais a potência vocal de outrora, o que é compreensível aos 74 anos. Porém, se o vocal não tem mais os timbres agudíssimos de antes, temos um interprete infinitamente melhor e mais experiente. Morse continua desfilando seu bom gosto em todo o álbum, seja nos timbres, nos riffs ou no encaixe dos solos. Airey se adaptou muito bem ao grupo. Suas contribuições para a musica pesada anteriormente o ajudaram a desenvolver um estilo próprio, que se encaixasse na sonoridade púrpura sem soar uma mera imitação do mítico Jon lord. Glover e Paice demonstram que ainda são uma das maiores cozinhas do rock, com bases eficientes, sólidas, sem firulas ou exibições, mas também sem espaço pra erros ou derrapagens. 

O clima de Jam session impera por todo álbum, apesar de algumas orquestrações. Os arranjos, embora eficientes, soam mais despojados, como se o grupo tocasse ao vivo e improvisasse algumas partes. Este elemento trouxe mais dinamismo e frescor ao som do grupo, que como todos sabem, funciona infinitamente melhor no palco.

As letras foram compostas por Gillan e tem como base a natureza humana e seus desdobramentos na vida em sociedade, falando sobre crimes, meio ambiente e até mesmo o apocalipse. 

Ao todo  “Whoosh” traz 13 canções que, embora sejam homogêneas em sua essência, apresentam diferenças sutis na concepção harmônica. Merecem destaque:  “We're All the Same in the Dark”,  com Airey fervendo seus teclados e Morse explorando novas sonoridades em sua guitarra; a rápida “Droop The Weapon” com ótimo riff e camadas de teclados excêntricas, que mostra Don Airey  tocando MUITO! Parece que faz parte do Purple desde o inicio;

A balada do disco “Nothing at All”, traz ecos de neo prog, cujo o destaque é ele: Don Airey! Aliás, já falei que Don está tocando pra caramba! Pois é.. “The Power of Moon” é arrasta e sombria. Possui teclados mais atmosféricos e um solo pungente de Morse. Pode passar despercebida ao ouvinte mais desatento mais achei uma das mais interessantes; “Man Alive”, com mudanças abruptas de andamento e climas atmosféricos é um dos singles; 

Merece menção ainda “And The Address”, regravação da primeira faixa do disco de estreia da banda, “Shades of Deep Purple”, de autoria de Richie Blackmore e Jon Lord. Sua releitura foi uma grata surpresa e é interessante escutar como Morse e Airey se sentem a vontade na execução do tema.

“Whoosh” não pode ser comparado aos grandes clássicos lançados pelo grupo em seu auge, mas tem o mérito de ser o melhor lançamento do Deep Purple nos últimos 20 anos, mostrando que a banda pode se reinventar e ainda tem muito a oferecer. 

O álbum pode ser escutado na maioria das plataformas digitais.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


Compartilhe:

Comente: