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Resenha: Dr. Feelgood (1989)

Álbum de Mötley Crüe

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Ofuscado pelos distúrbios

Por: Cheap.

08/08/2020

Nunca gostei muito de Mötley Crüe. Pelo simples fato de não ter uma conexão com os seus estilos, talvez isso tenha me prendido um pouco para o lado mais preconceituoso de sua discografia, isso eu admito. Reconheço que Mick Mars é um ótimo guitarrista e que Tommy Lee destrói na bateria. Contudo, é de se notar que eles exageram muito, seja na forma de vocalizar ou experimentar algumas coisas novas, anota-se um defeito permeando seus escândalos. Enfim, qual é o ponto?

O ponto é que Dr. Feelgood funciona muito para um repertório longo deles. Dane-se Too Fast for Love, nem Theatre of Pain. Qualquer pessoa que tente ouvir a música deles, têm de começar por Dr. Feelgood autoritariamente. Sem medo, sem nada, apenas um vislumbre do que o ouvinte quer para os conseguintes.

As 11 faixas são executadas muito bem. A primeira faixa é curta, só nos mostrando uma palhinha que iremos ouvir, e quando a segunda faixa começa, acabou: você está no mundo deles. Aqui você já nota alguns conflitos. Vince Neil é um cara problemático. Se não, por assim dizer, bastante egocêntrico. Ele revolucionou um gênero junto com sua banda, adjunto de Skid Row e Twisted Sister. Aparentemente, isso subiu em sua cabeça, e a produção despejada deixa a desejar nas junções paralelas de Slice of Your Pie e Rattlesnake Shake. Por que não também em Time for Change? É uma problematização enorme. O que me deixa estupefato é que Dr. Feelgood é eleito por muitos como o melhor álbum do Mötley Crüe. Mentiria eu se não ele não botasse uma influência enorme em muitas coisas que surgiriam depois. 

Essa etapa da banda é crucial. Depois que Vince sai e só volta dali a mais de dez anos, pelo que me lembre bem, entra John Corabi. Há quem não goste tanto dessa fase por ser extremamente parecida com coisas que já víamos, só que pior agora. 

No álbum verde, percebe-se as letras bastante adulteradas, esbanjando luxúrias e glamour cuja pretensão é chocar os jovens, que em sua maioria, são os que ouvem. Em Kickstart My Heart, sugere-se uma overdose. Seria uma boa música, se não estivesse passeando em uma romantização dianteira sobre o aspecto visível da coisa. A melhor faixa é S.O.S e além do mais, é a única que soa atrativa para mim diante das variedades oferecidas da banda ao narrador aqui.

Alento, vamos combinar: Vince não é um bom cantor. Sua voz é espiritual, mas soa como um vulcão em erupção com o magma dissipando e criando um chiado incômodo e abrupto. Ao que eu vi, todas as faixas que perde um minuto só com um solo é melhor do que ouvir o seu canto. 

Entre tantos vai-e-volta, eu não compreendi a verdadeira lição entregue para nós neste disco. É para aproveitar a vida? É para repensar algumas coisas que acontecem com nós ou é apenas recomeçar uma vida documentando coisas que aconteceram e para isso, é necessário não uma técnica exata de spoken word, mas só gritos e gritos prolongados para argumentar seu regimento? É nisso que fiquei transtornado - também.

Temas supérfluos, jogadas enjoativas e inocentes de que conseguirá manipular a produção... Tudo isso parece estranho.

Tenho de admirar a convicção e a energia dos riffs, a força da bateria e as linhas de baixo impressionantes, nunca parando de tocar e ainda assim, botando sua visão em prática.

Dr. Feelgood é bom, só é... Superestimado.

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