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Resenha: Look At Yourself (1971)

Álbum de Uriah Heep

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Imperdível para os fãs da fase progressiva

Por: André Luiz Paiz

05/08/2020

Com três discos lançados entre 1969 e 1971, o Uriah Heep foi ganhando força e experiência de maneira rápida e notável, chamando a atenção dos fãs da nova música que começou a ser desenvolvida no final da década de sessenta e início da seguinte. Um som mais pesado, elaborado e capaz de atingir direções distintas. E foi assim que a banda conseguiu o seu lugar de destaque, navegando pelo hard rock e progressivo.

"Look at Yourself" é a constatação do talento musical de Ken Hensley, que emergiu em "Salisbury" e cresceu ainda mais aqui neste terceiro disco. São sete faixas e o tecladista simplesmente tem a sua assinatura em todas, na maioria como único compositor. O melhor de tudo é que há diversidade e muita criatividade em todo o material.

"Look at Yourself", a faixa de abertura, é cantada por Ken Hensley por conta de problemas vocais de Byron no período da gravação e foi o primeiro single. Uma faixa mais direta, enérgica, recheada de boas vocalizações e forte presença dos teclados. "I Wanna Be Free" traz forte influência do rock dos anos sessenta, principalmente The Who, mas ainda mantendo a característica vocal de David Byron. "July Morning" é um dos grandes destaques, principalmente pelas belas linhas de órgão e por contar com a participação de Manfred Mann. A faixa possui mais de dez minutos e conta com variações de ritmos, alternando entre passagens suaves e mais agressivas. Sua melodia é densa e belíssima.
O lado dois começa quente com os riffs e a energia de "Tears in My Eyes", um belo hard. Em seguida, mergulhamos na progressiva e de melodia complexa "Shadows of Grief". O instrumental aqui está excelente, com muita energia, mas a faixa requer algumas audições para compreensão. Por fim, temos "What Should Be Done", uma balada suave ao som do piano e que mostra o talento enorme de David Byron, e a curtinha "Love Machine", que conta com a participação de Mick Box na composição e começa com um excelente riff de teclado, acompanhado da guitarra em seguida. Muita energia aqui, com aquele hard que o Purple viria a explorar muito logo adiante.

Algo que eu gosto dos grandes álbuns da década de setenta é a duração. São sete faixas, quarenta minutos e só coisa boa. Não dá nem tempo de respirar e o disco já pede para ser ouvido novamente.

Ainda em ascensão, o Uriah Heep entregou aqui um grande álbum e se viu pronto para o seu maior clássico: "Demons and Wizards", que estava para chegar no ano seguinte.

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