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Resenha: Brainwashed (2002)

Álbum de George Harrison

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Despedida digna e emocionante

Por: André Luiz Paiz

05/08/2020

George trabalhou por quase uma década e meia em "Brainwashed". Infelizmente, o músico partiu antes de vê-lo finalizado. Coube ao seu talentoso filho Dhani Harrison e ao grande músico e produtor Jeff Lynne dar continuidade e permitir com que este belo disco chegasse aos fãs.

Após o grande sucesso de "Cloud Nine" (1987), George mergulhou no belo projeto Traveling Wilburys - outro grande sucesso - e voltou aos palcos para a turnê que gerou o disco "Live In Japan", com Eric Clapton. Apareceu também no evento beneficente para o Natural Law Party no Royal Albert Hall e em uma apresentação com Bob Dylan, Clapton, Tom Petty, etc, no Madison Square Garden. Depois e de maneira esporádica, começou a desenvolver novas canções. O trabalho ficou em segundo plano por conta da produção "Anthology" dos Beatles, e depois para o tratamento de um câncer na garganta, no qual o músico atribuiu ao excesso com cigarros. Logo depois veio o atentado que sofreu em sua casa, em 1999, no qual foi esfaqueado no peito por um invasor durante a madrugada. Por último, George retornou aos tratamentos médicos após descobrir um câncer no pulmão, que espalhou para o seu cérebro e se tornou irreversível.

"Brainwashed" é um testamento fiel de George. Nota-se um músico um pouco cansado pelos inúmeros obstáculos que enfrentou, mas mesmo assim ainda muito sensitivo. São doze faixas tranquilas, bem produzidas e que fazem este álbum uma grande companhia para uma viagem ou apenas para relaxar e curtir. Parece que George está dizendo: estou em paz.
O brilho deste disco está na guitarra de George e o seu grande parceiro, o slide, que brilha a todo instante. Há também uma agradável condução, na maior parte acústica, do instrumental de Jeff, Dhani e do próprio George, além da competente participação do baterista de estúdio Jim Keltner.
São belos momentos durante a audição. "Any Road" é a faixa que mais se popularizou e uma das primeiras compostas para o disco. Bem legal e espontânea. Depois, "P2 Vatican Blues" - lembra bem os Wilburys - e a bela sequência com "Pisces Fish", "Looking For My Life", "Rising Sun" e a instrumental "Marwa Blues" é extremamente agradável. Esta última inclusive traz um pouco do já conhecido clima indiano que George tanto explorou nos Beatles nos anos sessenta e na década seguinte, com muita inspiração. É gratificante saber que houve o devido reconhecimento do trabalho feito nela com o prêmio Grammy de 2004 para Best Pop Instrumental Performance.
Seguindo adiante, é notável que não há muita diversidade entre as canções, embora este detalhe realmente não comprometa. "Stuck Inside A Cloud", "Run So Far" e "Never Get Over You" são boas, mas causam esta impressão. O ukulele e um clima mais havaiano agradam na cover "Between the Devil and the Deep Blue Sea", lá dos anos trinta, clima que permanece também na faixa seguinte, "Rocking Chair in Hawaii", uma faixa um pouquinho arrastada. E o final surpreende com a ótima "Brainwashed", que traz uma pegada mais rock e uma abordagem diferente. Ela possui mais de seis minutos de duração e conta com um mantra indiano no final. Não combinou, mas talvez tenha sido uma homenagem ao guitarrista.

As últimas composições de George Harrison estão aqui, eternizadas em um disco agradável, bem produzido e recomendado aos fãs de boa música.
Obrigado George!

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