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Resenha: Out Of Our Heads (1965)

Álbum de The Rolling Stones

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Os primórdios de uma das principais entidades do Rock

Por: Vitor Sobreira

04/08/2020

Quem se lembra de quando o Rolling Stones tocou na praia de Copacabana em 2006, cuja apresentação foi transmitida ao vivo pela Rede Globo? Pois é, eu me lembro de algumas notícias e de ter assistido aos momentos iniciais da apresentação histórica. Na época, eu ainda estava descobrindo a Música Pesada e sinceramente, nunca imaginei que um dia escreveria algo sobre uma das principais bandas de Rock do mundo. Então, lá vamos nós!

Antes de mais nada, reforço que os primeiros álbuns da banda foram lançados de maneiras diferentes no mercado estadunidense e no britânico, porém, o disco escolhido para a produção do texto, seguiu a segunda versão.

O terceiro álbum dos The Rolling Stones (mesmo para quem não é intimo da banda, o “The” acaba soando apenas como um enfeite, e logo o descartaremos), na discografia britânica, ‘Out of Our Heads’ saiu no tão distante dia 24 de setembro de 1965, pela Decca Records e com 12 composições de um Rock’n’Roll com fortes traços de Blues, que aos poucos conquistava todo o planeta Terra. Ainda em tempo, este foi o último trabalho a possuir faixas creditadas à outros músicos que não fossem da banda, fato que se consumaria a partir do álbum seguinte, ‘Aftermath’, com faixas exclusivamente creditadas à dupla Mick Jagger e Keith Richards. Para se ter uma ideia, das 12 faixas de ‘Out of Our Heads’, apenas três são autorais. Aliás, quatro, se adicionarmos “The Under Assistant West Coast Promotion Man”, de Nanker Phelgs, que na verdade era um pseudônimo usado por alguns membros dos Stones entre 1963 e 1965.

Para quem não é conhecedor ou muito menos lá muito interessado na carreira da banda, ou em qualquer outro tipo musical relacionado à época em questão, se deparar com um de seus primeiros discos é algo bem curioso. A curta e dançante “She Said Yeah” é uma pequena prova disso – além de abrir muito bem a audição, diga-se.

Os ânimos dão uma acalmada com “Mercy, Mercy”, que deve ter embalado muitos namoros dentro de carros, ao longo dos anos. Mantendo quase que a mesma pegada rítmica, “Hitch Hike”, mantém a audição curiosa, contudo, interessante. Ainda que pela pouca idade, é possível notar o bom desempenho dos músicos, levando em consideração a época também, é claro.

Para quem estava esperando por empolgação semelhante à da faixa de abertura, sinto em decepcionar, mas “That’s How Strong My Love Is” não decola, indo mais na onda de uma balada. “Good Times” também não irá ajudar muito, com sua pegada comercial. Mas, caso você se deixe guiar pela curiosidade, irá tirar proveito de cada composição.

Fechando o lado A, “Gotta Get Away” é um pequenino embrião do que seria ouvido na década seguinte, sem contar que é a primeira das supracitadas músicas compostas por Mick e Keith, que sinceramente agrada bastante – até mais do que algumas das anteriores -, mostrando que a banda pecou por não ter apostado em material próprio antes. Mas, talvez fosse algum costume ou estratégia da época, regravar músicas de outros compositores, sei lá! Falando nisso, o lado B também começa bem com “Talkin’ About You”, de autoria de Chucky Berry.

Espero que os leitores não se assustem, mas com “Cry to Me” – e sua vibe mais Blues -, estamos diante da faixa de maior duração do play: 3’:09’’! Pois é, se hoje em dia estamos acostumados com perolas de cinco, nove minutos, imagine para a época então…

Não é novidade que a música norte-americana seduzia os rapazes da Majestade, fato que pode ser observado pelos compositores das canções não autorais, que são todos dos EUA, e em sua maioria herdeiros do continente africano. E essa levada tradicional pode ser percebida também em “Oh Baby (We Got a Good Thing Goin’)”, lançada originalmente em 1962, pela vocalista, guitarrista e compositora Barbara Lynn.

Chegamos ao final do álbum com a trinca de faixas compostas pela própria banda, começando com a interessante “Heart of Stone” (uma das que mais gostei), que abriu espaço para linhas de baixo bastante evidentes. Com a adição de gaita, na sequência, temos a já mencionada anteriormente “The Under Assistant West Coast Promotion Man” – a segunda maior do tracklist. E para finalizar, “I’m Free”, um típico som dos anos 60 (ah vá!), que encerra sem problemas a curiosa audição.

Gosta de “velharias” musicais, de conhecer os primórdios do Rock ou mesmo de se aventurar por áreas (pessoalmente) desconhecidas? Então não se acanhe e vá em frente!

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