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Resenha: The Perfect Element: Part I (2000)

Álbum de Pain Of Salvation

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Apesar de um ou outro “ponto fraco”, The Perfect Element: Part I é perfeito

Autor: Tiago Meneses

31/07/2020

Quando ouvi esse disco pela primeira vez, foi uma paixão avassaladora instantânea. É difícil ver uma banda preencher o seu som com tanta energia e foco como o Pain of Salvation faz através do seu The Perfect Element: Part I. Um disco completo e muito bonito do começo ao fim, trazendo para o ouvinte uma verdadeira experiência. O álbum gira em torno da vários temas como adolescência, estupro, violência, ódio, desistência, sendo todos eles discutidos de uma madeira muito madura, tomado de uma forma inteligente. Não me lembro, pensando agora, quando que temáticas iguais a essa foram levantadas de forma tão adequadas em bandas do gênero como aqui. Todas as faixas são impregnadas de paixão e nada soa em excesso. É como se a banda entregasse tudo de si em todas as músicas e de forma honesta. 

“Used” começa o disco já em um ritmo sombrio e pesado em um metal bastante cru. Quando os vocais entram, são em uma pegada que eu confesso não curtir muito, que é a do rap, mas dentro da música acabam soando agradáveis. O refrão é muito agradável e bastante cativante, seguindo depois para um vocal cantado com mais delicadeza, mostrando logo na primeira faixa o quanto Daniel pode ser um vocalista versátil. 

“In The Flesh” foi a primeira música da banda que eu ouvi na vida, mas não gosto dela apenas por conta da memória afetiva, pois é mais um momento incrível do disco. A princípio alguém mais sem paciência pode dizer que ela se arrasta muito, mas eu não a vejo assim. Novamente os vocais de Daniel junto de uma letra boa – inclusive, olhar a tradução da música faz com que ela ganhe mais valor. 

“Ashes” é uma música que eu não chego a gostar como um todo, mas longe de ser ruim e tem lapsos de ótimos momentos. Os refrãos, por exemplo, acho que estão na medida e eu particularmente adoro, além de um solo de guitarra que gosto bastante. Digamos que a inspiração não bateu tão forte aqui, porém, ainda passou na média facilmente. 

“Morning on Earth” traz a banda novamente para uma direção musical incrível. A faixa começa com uma grande e assustadora melodia, os vocais são suaves, e em alguns pontos, cheios de emoção, sendo a transição dos versos para o refrão algo belíssimo, como se a música que estava obscura encontrasse a claridade. Uma bela faixa e muito bem construída tanto pela parte vocal, quanto instrumental. 

“Ideoglossia” é uma daquelas músicas que não tem como escutar uma vez e não voltar pra escutar pelo menos mais uma vez de novo. A música tem de tudo, partes pesadas, lindas seções mais lentas, aquela linha rap de “Used” que mesmo eu não gostando, funciona bem, trabalho de voz e instrumentais em várias camadas. São cerca de oito minutos e meio onde a banda consegue transmitir vários tipos de emoções diferentes. 

“Her Voices” é aquele tipo de música em que se formos levar em conta só o seu começo pra julgá-la, poderemos estra cometendo uma grande injustiça, pois ela é exatamente do tipo que começa mal, mas termina incrivelmente bem. O trabalho de sintetizador do início não me soa muito legal, mas quando a guitarra começa a entrar, a música parece florescer melhor. Então que a faixa vai seguindo em uma crescente até uma conclusão poderosa que eu adoro. 

“Dedication” é mais uma música que começa meio água com açúcar, mas depois vai se desenhando até se tornar algo excelente. Há uma seção em que Daniel grita bem alto ao fundo, enquanto se pode ouvir a crescente energia na guitarra e bateria, a música vai se construindo até um ponto que ela volta para a sua melodia normal. Uma faixa muito boa, não é exatamente um destaque, mas muito boa. 

“King Of Loss” traz a banda novamente para um terreno musical simplesmente incrível. A melodia é bastante sombria, mas também muito boa. A nota de abertura é Daniel chamando a sua mãe, sobre uma atmosfera com suaves toques de guitarra e piano, além de pratos e marcações de baixo faz com que possamos sentir verdade em sua voz. Apesar de demorar um pouco pra ficar mais pesada, a espera acaba compensando, pois a música cresce no ouvinte através de um som pomposo e extremamente emocional. 

“Reconciliation” é uma música que já começa com uma alta energia em uma melodia muito boa. Falando nela, a melodia principal da guitarra é bastante empolgante, vontade de voltar pra ouvir de novo. Destaque também para alguns momentos vocais de Daniel. Uma faixa bastante legal. 

“Song For The Innocent“ é uma música que não há muito que dizer dela em si, exceto por algo que me faz ser apaixonado por ela, o solo de guitarra absolutamente assombroso de bom. Realmente uma música que carrega um solo desse não precisa de mais nada. Um dos meus preferidos de todo o metal progressivo, só que como estava em uma pegada tão boa, poderia ser maior. 

“Falling” é uma vinheta de menos de dois minutos que serve como preparação para a última faixa, soando como algo na veia do Pink Floyd. Legal, mas sinceramente, o curso do disco seguiria perfeitamente sem a existência dela. 

“The Perfect Element” é a faixa que encerra o disco, inclusive, que maneira mais sensacional de fazer isso, quase que inacreditável. Uma faixa que possui várias seções impressionantes, e que é impossível entendê-la apenas com uma ou duas audições, é daquele tipo de som que vamos descobrindo-o aos poucos. Excesso de paixão e energia – o que não é problema algum – também marcam os seus mais de dez minutos. Um encerramento glamoroso de um disco muito bem construído. 

Definitivamente um clássico do metal progressivo. Tem de tudo o que podemos esperar de uma obra grandiosa do gênero, harmonias maravilhosas e assinaturas complexas, o alcance vocal de Daniel é lindo e muitas vezes eles impressionam, têm ótimos trabalhos de guitarra, piano clássico e teclados ricos, além de uma seção rítmica de baixo e bateria muito sólida. Apesar de um ou outro “ponto fraco”, The Perfect Element: Part 1 é perfeito.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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