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Resenha: Cloud Nine (1987)

Álbum de George Harrison

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Voltando a brilhar

Autor: André Luiz Paiz

30/07/2020

Após cinco anos de um hiato artístico de George, que demonstrou sinais claros de desgaste em "Gone Troppo", o músico retornou forte em "Cloud Nine", colocando seu trem de volta aos trilhos com boas canções e excelente produção.

"Cloud Nine" mostrou para George algo que ele parecia não querer ver, que não era tão difícil acertar a mão. Bom compositor ele já tinha comprovado ser, bom músico também, então e é aí que entra o trabalho de um grande produtor. Este disco tem a mão do grande Jeff Lynne (ELO), um dos gênios da música e que contribuiu muito para o sucesso deste trabalho. Canções acessíveis e com sonoridade atual, dando brilho ao talento do ex-Beatle.

São onze faixas, sendo uma delas cover, estrategicamente escolhida para alavancar o álbum. E deu certo! "Got My Mind Set on You" estourou nas paradas e toca nas boas rádios até hoje. Mas, há muito mais o que destacar por aqui.
A faixa "Cloud 9" abre o disco e dá uma sensação de êxtase enorme, algo como do tipo: aí sim, George!. Cadenciada, conduzida pela guitarra de George com êxito e a produção que se sobressai. Um grande momento. Depois, Jeff Lynne brilha como coautor do hit "That's What It Takes", uma canção pop rock bem contemporânea. Brilhante! "Fish on the Sand" parece soar como Beatles do iê-iê-iê nos anos 80 e "Just For Today" resgata o clima das belas baladas de George, como "Isn't it a Pity". E que lindo solo de guitarra! Dá também pra notar alguns elementos da ELO aqui. Encerrando a primeira metade, temos mais dois hits: "This Is Love" -  mais uma vez composta com Lynne e um grande hit pop rock - e a ótima e diferente 	"When We Was Fab", que faz homenagem aos Beatles e traz algo como um pop psicodélico.
Iniciando a segunda metade, temos a ótima "Devil's Radio", que traz o lado mais rock de George que tanto fez falta no disco anterior, assim como "Wreck Of The Hesperus". "Someplace Else" é uma das suas melhores baladas e contou com um grande upgrade da produção. Por fim, temos "Breath Away From Heaven", que traz George fazendo um synthpop bem suave e agradável.
Algumas versões mais recentes trazem duas faixas que ficaram de fora da versão final: "Shanghai Surprise" - também puxada pro synthpop - e "Zig Zag" - bem descartável e soa mais como uma brincadeira de Harrison e Lynne em estúdio.

"Cloud Nine" trouxe a confiança e reconhecimento que George Harrison precisava. Com o status já elevado, conseguiu ir ainda mais além com a formação de um dos maiores supergrupos da história, os Traveling Wilburys, com ninguém menos que  Bob Dylan, Jeff Lynne, Roy Orbison e Tom Petty.
O disco também marca o último lançamento solo do ex-Beatle em vida, já que não conseguiu finalizar "Brainwashed" a tempo, quando infelizmente foi vencido na batalha contra um câncer, em 2001. Após o final dos Wilburys, George também trabalhou com os ex-Beatles Ringo Starr e Paul McCartney, no documentário "Anthology", sobre a história dos Beatles.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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