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Resenha: Inside (1973)

Álbum de Eloy

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O Autêntico progressivo alemão

Autor: Márcio Chagas

29/07/2020

O Eloy havia lançado seu primeiro disco ainda sem uma identidade musical. O grupo soava mais hard, na cola de bandas como Deep Purple e Uriah Heep. 

Com a mudança de gravadora e a debandada do vocalista e tecladista Erich Schriever seguida pelo baterista Helmut Draht, o grupo voltou a ser um quarteto, cabendo a Frank Bornemann assumir os vocais e guitarra. O segundo guitarrista Manfred Wieczorke, assume os teclados e para substituir Draht, é recrutado o jovem e talentoso Fritz Randow, que seria conhecido no futuro por integrar o Saxon, um dos baluartes do NWOBHM. Randow apresenta certo dinamismo na musica do grupo, com viradas mais pesadas e complexas. A formação é completada pelo baixista Wolfgang Stöcker  que tocou no álbum anterior.

O grupo se reuniu no Windrose Studios em Hamburgo, e resolveram não utilizar um produtor, deixando a produção a cargo do próprio quarteto, que buscava uma identidade própria. A direção musical mudou radicalmente durante as gravações, a banda investiu em uma sonoridade mais espacial, progressiva e densa, calcada nos órgãos  de Wieczorke e com influência do krautrock.

Os teclados arrastados, construídos em camadas aparecem como a base dos quatro temas apresentados no disco. De cara, abrindo o álbum, temos uma suíte de quase vinte minutos denominada “Land of no Body”, que toma todo o lado “A” do antigo vinil. A introdução já mostra a diferença nos rumos tomados pelo grupo: o vocal complacente de Bornemann é amparado pelos teclados ainda na introdução. Os demais instrumentos entram em seguida, dando peso ao tema, mas tudo gira em torno das camadas de hammonds construídas. Mesmo a guitarra com certo peso, trabalha em função do órgão, que direciona toda a suíte. Algumas passagens mais psicodélicas podem lembrar “Echoes”, clássico do Pink Floyd;

A faixa título consegue ser ainda mais arrastada e pesada, embora melódica e com um baixo pungente recortando toda a canção. Após a metade da execução, há uma quebra de andamento com um solo dinâmico de Bornemann;

“Future City” tem influência clara de Jethro Tull, não só pelo uso de violões e percussão, mas também pela entonação dos vocais de Frank.  A cozinha se mostra super entrosada, oferecendo segurança necessária a canção;

Para encerrar, temos “Up and Down”, faixa cantada por Wieczorke, que não tem o mesmo domínio vocal de Frank, mas não chega a comprometer a canção, que é mais densa e lenta. O tecladista recita a letra de forma mais formal, e cria um contraponto interessante com o órgão e baixo elétrico que sustentam o tema;

Lançado no ano de 1973, “Inside”, ajudou a consolidar o nome do grupo, inserindo o  Eloy dentro do universo do  prog rock. O quarteto ia se afastando da sonoridade pesada e lapidando seu som em busca do progressivo sinfônico apresentado em trabalhos posteriores. 

Este pode ser considero um trabalho genuíno do rock progressivo alemão.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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