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Resenha: Invisible Touch (1986)

Álbum de Genesis

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Confundindo Genesis com Genésio? (Se liga Phil!)

Autor: Marcel Z. Dio

25/07/2020

Em 1986 o Genesis avançava mais uma etapa na reformulação sonora de aparatos tecnológicos, sintetizadores na ponta e um passado que refletia um planeta abandonado. A arte verdadeira trocada pela urgência da massa fonográfica. 
O nascimento do novo Genesis começou com Duke e seu papel de experiencias progressivas divididas com o pop. Dessa forma, foram subindo escadas para enxugar a complexidade e dar vazão a temas fáceis. 
Se formos objetivos e até cruéis, veremos que o Genesis transformou-se num segundo projeto solo de Phil Collins. 

Confesso que ainda gosto de Abacab e do disco auto-intitulado de 1983. Para Invisible Touch a dose foi demais. Minha cópia ainda está pegando poeira no armário e servindo como "calço" para que Selling England By the Pound e Nursery Crime fiquem sempre na vertical (não quero que empenem).

Brincadeiras a parte, hoje compreendo melhor o que leva uma banda a respirar novos ares e buscar afirmação no mercado a fim de uma aposentadoria tranquila. Não questiono a capacidade empresarial do Sr Phil Collins, pois sou apenas um pé rapado declamando o que ouvi em Invisible Touch, e a experiencia foi apenas regular.
Os destaques são poucos, e o carro chefe continua sendo a faixa título - sinth pop elaborado com letra sobre a paixão de um homem por uma gaja a dominá-lo com um "toque invisível", ou seja, no melhor (ou seria pior?) enredo do cantor Ritchie.

A balada "In too Deep" tem seus méritos na voz maravilhosa de Phil. Também gosto de "Tonight, Tonight, Tonight", ao que me vem a cabeça o som de Peter Gabriel, quando esse misturava músicas étnicas a sons eletrônicos.

"Land of Confusion" entra no mesmo conceito Peter Gabriel de ser, e dessa vez sem experimentos exóticos.
"Anything she Does" acelera o tempo e memora um tema esquecido em Abacab ou pega o The Police para Cristo, só que de uma forma completamente esquecível. 

Os Dez minutos de "Domino" são divididos em duas partes, dois extremos no que tange ao instrumental. A primeira denominada "In the Glow of the Night", é pior que ressaca de vinho chapinha. Na segunda parte os sequenciadores dão uma força razoável para animar quem estava pegando no sono. 

"Throwing it all Away" vem como a segunda balada. Nada extraordinária, apenas uma peça que embalou casais apaixonados com letra pré adolescente. Também torrou a paciência de tanto tocar nas rádios.

Por fim, a instrumental "The Brazilian" não diz nada com nada, não vai a lugar nenhum com a sequencia massiva e chata de semi viradas na bateria. Tony Banks também não colabora com linhas sovinas e sem inspiração. Deve ter sido inventada as pressas para completar o álbum.

Para quem admira camadas sintetizadas e paga pau pra tudo que Phil Collins faz, Invisible Touch pode agradar. Aos que tem saudades do Genesis progressivo, passem longe e se possível usem mascara e álcool gel para não contaminar sua cópia maravilhosa e lustrada de Selling England By The Pound.
Fica por sua conta e risco.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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