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Resenha: Colours (1980)

Álbum de Eloy

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Novas cores e influências na sonoridade progressiva do grupo

Autor: Márcio Chagas

24/07/2020

Com o lançamento do seminal “Live” e as saídas do tecladista Detlev Schmidtchen e do baterista Jürgen Rosenthal, o Eloy chega ao fim de uma era, e adentra os anos 80 com uma nova formação, agora como um quinteto.

Para compor a nova formação ao lado do Lider e guitarrista Frank Bonerman e do baixista Klaus Peter Matziol, vieram: Hannes Folberth (teclados), Hannes Arkona (guitarras) e Jim McGillivray (bateria). 

A nova formação e a entrada de mais um guitarrista mudaram a sonoridade do grupo. O progressivo mais denso, caracteristico  dos grupos germânicos foi deixado de lado, assim como a influência do krautrock. 

O grupo investia em uma sonoridade mais melódica e moderna, com influências claras de Pink Floyd e do Alan Parsons Project. O som se tornou mais direto, com musicas que variavam de três a seis minutos, deixando de lado as longas suítes. 

Apesar de ser hábil em seu instrumento, McGillivray não tinha a técnica exacerbada de seu antecessor, e tal fato ajudou a deixar o som do grupo mais simples e menos rebuscado. O tecladista  Folberg tinha um estilo mais técnico e menos passional, utilizando teclados de ultima geração em detrimento de velhos moogs e sintetizadores analógicos. Ainda assim o músico consegue criar belas atmosferas para os temas além de ótimos solos, sendo um dos fatores que ajudaram a moldar o novo estilo do grupo. 

Mas apesar de toda essa alteração, o som da banda ainda se mantinha na seara progressiva, com belos solos de teclados disputando espaço com a guitarra pungente de Bornermann, que economizou nos solos privilegiando belos dedilhados conforme acontece em “Impressions”, deixado o solo principal para a flauta;

Outros destaques do disco: “Child Migration”, com a guitarra mais pesada e bem timbrada do novato Arkona; “Silhouete”, que se inicia com um piano forte, amparando os vocais de Bornermann, para então se tornar mais dinâmica com leve influência pop e um ótimo solo de guitarra; e “Iluminations”,  com várias camas de teclados e uma base segura, deixando Frank a vontade com sua guitarra e vocais;

“Colours” apresenta o grupo revigorada, inserindo novas influências em seu estilo e aproximando o grupo do rock progressivo inglês, apesar de manter sua essência alemã.

Muitos fãs consideram um ótimo disco, onde a banda prepara sua transição para a entrada do universo pop.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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