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Resenha: Remedy Lane Re:Visited (2016)

Álbum de Pain Of Salvation

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Uma obra-prima revisitada e melhorada!

Autor: Marcio Alexandre

29/11/2017

Não se mexe em time que está ganhando? Uma obra-prima é tão perfeita que não se pode melhorar? É exatamente o contrário que Daniel Gildenlow nos mostra, ao lapidar a masterpiece de sua banda, o álbum "Remedy Lane" de 2002 que é a obra suprema do Pain of Salvation, tanto que em 2014, sem material novo, Daniel decidiu cair na estrada tocando o disco de cabo a rabo, inclusive passando pelo Brasil no ano seguinte, tocando boa parte do mesmo, ocasião em que fui agraciado em poder conferir de perto o poder dos caras, e que poder eles tem em mãos, Deus! Mas a ideia rendeu tanto, que Gildelow resolveu voltar aos estúdios e remixar o disco da forma que realmente o imaginava, talvez por falta de recursos/dinheiro na época, o álbum não tem o peso e mixagem desejada pelo capitão do barco, agora, anos depois, o vocalista/guitarrista/compositor do PoS se juntou ao produtor Jens Brogen, que já havia sido responsável por "Scarsick" e "Be", entraram no estúdio Fascination Street, estúdio por onde já passaram grandes do Metal Progressivo como, Opeth e Symphony X, e o resultado é a obra prima dos caras colocada em um nível colossal, gigantesco, de se aplaudir de pé até as mãos arderem e ainda será pouco.

Não ache que a elevação das coisas aqui faça com que o feeling todo da versão original se perca, muito longe disso, desde o início em "Of a Two Beginnings" ao final com "Beyond the Pale", toda a amargura, ressentimento, corações partidos, melancolia da história contada ali pode ser sentida, apalpada na verdade, graças a interpretação de nosso carismático frontman, e logo em seus primeiros acordes já notamos a diferença da nova versão, com realce nos teclados, um baixo presente, e peso, quanto peso desfila por aqui, fato esse que pode ser palpável nos primeiros acordes de "Ending Theme" e na quebrada "Fandango", que final é esse hein?! E peso continua de sobra por aqui, em "A Trace of Blood" e "Rope Ends", essa última inclusive sendo a primeira a ser divulgada da nova versão do disco, e que corpo ela ganhou, esse baixo...

Mas não só na parte pesada do disco notamos a diferença, nas partes mais lentas, as melhoras estão presentes também, "Undertown", "Chains Sling" e "Second Love" ganharam realces em cada dedilhado, que soam cristalinos, sendo possível notar cada uma das palhetadas nas cordas e cada mudança de acorde, que coisa linda de se ouvir!

Há de se falar também da mudança na capa, que ganhou um tom mais escuro, mais a caráter do conteúdo proposto e também da mudança na formação entre as duas versões, que inclusive contava com o irmão de Daniel, Kristoffer Gildenlow no baixo, e como a atual reproduziu milimetricamante a obra original, soando como o álbum de 2002 e captando todo aquele sentimento da época de composição.

E o pacote ainda conta um disco ao vivo, gravado em um show no festival PowerProg, em 2014 e nos mostra como a banda consegue soar tão bem ao vivo como no estúdio, sem dever nada e retrata um pouco do poder que citei no começo do texto.

Um aperitivo para o novo trabalho que chegava às lojas no começo de 2017. Um belo presente para os fãs, um ótima oportunidade para quem quer se familiarizar com a banda, ou simplesmente para quem seja adorador da boa música, e aqui a encontramos em sua melhor forma. Simplesmente, espetacular!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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