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Resenha: Double Fantasy (1980)

Álbum de John Lennon

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A despedida de Lennon

Autor: André Luiz Paiz

24/07/2020

Após se afastar da cena musical para dedicar-se ao lar, John Lennon começou aos poucos ensaiar a sua volta no início da década de 80. Com uma vida mais tranquila, tempo para pensar e se preparar, voltou para registrar um dos seus melhores trabalhos, pena que seria o seu último lançamento em vida.

Produzido por John Lennon, Yoko Ono e Jack Douglas (Aerosmith, The Who, Patti Smith, Blue Öyster Cult, New York Dolls, etc.), Double Fantasy é um disco que foge bastante do rock e blues que Lennon tanto curtia quando mais jovem. Porém, mesmo trazendo uma abordagem mais pop, soa renovado até hoje e possui composições excelentes. O único problema aqui é que o trabalho foi lançado em parceria com Yoko Ono, assim como fez em "Some Time In New York City". São 14 músicas, sendo que metade foi composta e é cantada por cada um deles. 

Peço desculpas se ofender algum leitor, mas não consigo comentar sobre as faixas de Yoko Ono. Ela tem os seus méritos quanto a dar direcionamento à vida de John Lennon, mas, não a considero uma cantora e compositora. E olha que cresci ouvindo os discos do ex-Beatle e dei chances de sobra, mas não consigo. Sei que não preciso dizer, mas não tem nada a ver com o seu gênero, origem, e se ela tem ou não culpa no término dos Beatles, é apenas uma análise relacionada ao seu talento musical, se é que ele existe. Caso discorde de mim, peço a gentileza de que você tente ouvir e tire as suas conclusões se há algo de proveitoso ali. Assim, vou falar sobre as sete faixas brilhantemente compostas por John.

"(Just Like) Starting Over" é um depoimento de John sobre o seu retorno. Toca nas boas rádios até hoje e é simplesmente encantadora. Uma faixa feliz e com bom agito. As que trazem uma sonoridade mais puxadas para o rock são as ótimas "Cleanup Time" e "I'm Losing You". Das baladas, temos três grandes destaques: "Beautiful Boy (Darling Boy)" - linda, feita para o filho Sean; "Watching the Wheels" - um desabafo tocante sobre o que é ser John Lennon; e "Woman" - uma das faixas mais lindas de John, em declaração para Yoko. Por fim, temos também para Yoko a faixa "Dear Yoko", um pop mais agitado e feliz, mas é a que menos se destaca em comparação com as demais.

Após o lançamento de Double Fantasy, o disco se tornou um sucesso. John estava novamente nas alturas e pronto para mais, tanto que logo voltou ao estúdio para produzir mais material. Infelizmente, no dia 08 de dezembro de 1980, um idiota cruzou seu caminho, coletou seu autógrafo na capa do disco, ficou em frente ao edifício Dakota - Nova Iorque, lar de John - esperando até o anoitecer, até que encontrou John novamente e o assassinou, mudando completamente os rumos da carreira de um grande músico, uma grande figura e afetando o mundo da música, além de acabando também com a possibilidade de um reencontro dos Beatles e também tirando a vida de um ser humano e pai. O nome do assassino não merece ser escrito aqui.
As músicas que John conseguiu gravar até a sua morte foram lançadas no disco póstumo "Milk and Honey".

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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