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Resenha: Barbares (2009)

Álbum de Nemo

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Um disco poderoso, passando por linhas mais jazzísticas, explosivas e acústicas

Por: Tiago Meneses

24/07/2020

Antes de tudo a melhor maneira de dizer algo sobre este disco é que ele é maravilhoso. É impressionante e imediatamente aparente o quão a banda sabe trabalhar bem em conjunto. A musicalidade não é menos do que excelente, particularmente tendo o teclado e os trabalhos de guitarra como grandes destaques do disco, tudo é muito bem combinado. Os teclados modernos e soam muito bem e a guitarra está sempre variando de riffs poderosos, passando por acordes mais jazzísticos, solos explosivos e momentos acústicos e mais suaves. Óbvio que não tem como deixar de mencionar a seção rítmica da banda, composta por maravilhosas linhas de baixo melódicas e fluentes, além de uma bateria poderosa, mas que também se mostra cheia de detalhes e sutilezas. 

“LDI” é uma música excelente que tem a cara de início de álbum. Começa com uma sonoridade suave, mas não demora muito para se transformar em um rock mais empolgante já característico da banda, com belas texturas de teclados e ideias de guitarra que são adicionadas antes que os vocais apareçam pela primeira vez. Falando em vocais, particularmente eu o considero um dos destaques da música, pois carrega uma ideia diferente, em que embora mantenham uma sensação de rock e séria da música, a forma como ele se alterna com os instrumentos parecem meio “brincalhão” e faz parecer que no mesmo tempo que a banda toca de forma séria, também se diverte enquanto faz as suas reflexões. Possui uma passui instrumental que se inicia depois dos seis minutos que é sensacional. 

“19:59” é uma música que ao menos em mim, ao ler o seu nome me faz parecer que se tratava de um épico – como se o seu nome fosse também a sua duração -, mas indo completamente contra isso, se trata da música mais curta do álbum. Começa com um minúsculo solo de bateria, mas logo os demais instrumentos se juntam. Possui mais vocal que a faixa anterior e tenho a impressão que se o ouvinte souber francês, a experiência com a música pode ser aumentada. Seus ótimos riffs de guitarra vem e vão, assim como ótimas incursões de teclado, e por fim, sem ser menos importante, o baixo e bateria se desenvolvem sempre em linhas sempre sólidas. 

“Le Film De Ma Vie” é mais uma excelente faixa e que mantem o disco agradável. Eu simplesmente adoro como os instrumentos aqui tocam sob o vocal, pois pra mim funciona maravilhosamente bem. Um dos momentos mais interessantes desta faixa é quando os instrumentos são silenciados e o tema principal é cantado pelos vocais de apoio, em seguida ganhando a companhia do vocal principal, piano e o restante da banda, um dos momentos mais belos do disco. 

“L'Armée Des Ombres” já começa em um ritmo bastante frenético. A energia rock and dessa banda em muitos momentos é inegável. A faixa possui uma ótima variação de temas muito eficazes e de vários níveis de volume. Possui uma seção agradável e silenciosa um pouco antes de sua metade. O contraste é muito bom, dando um sentido a esse momento mais quieto, enquanto que a faixa vai se recuperando e voltando para um novo momento mais agitado, apoiado principalmente por um trabalho muito bom de guitarra. 

“Faux Semblants” tem um início um pouco mais retido do que os encontrado nas faixas anteriores, embora cresça em intensidade conforme a música vai avançando. Os vocais quando entram se mostram mais reservados, mas pouco mais depois dos três minutos, a banda eleva um pouco a sua intensidade, trazendo com ela um vocal menos retraído. Mas não demora pra tudo ficar sereno mais uma vez, mas agora a música vai crescendo aos poucos até o final, quando já vai estar em uma linha sinfônica belíssima. 

Apesar de tudo ter soado extremamente brilhante até aqui, a faixa título e que encerra o disco, “Barbares”, parece mesmo assim empalidecer todas elas se comparado ao que a banda apresenta aqui em mais de vinte e cinco minutos. Como a maioria dos épicos desta amplitude, começa bem tranquila antes que se torne mais efusiva pela primeira vez. A melodia de guitarra que segue é bastante simples e cativante, então entram também os sintetizadores e uma bateria suave. Através de violão e voz acontecem os primeiros vocais. A flauta então chega e traz com ela uma atmosfera celta. A guitarra reaparece, agora com um riff maravilhoso até que piano se junta basicamente dobrando com ela, enquanto que baixo e bateria solidificam mais uma vez a cozinha muito bem. Os vocais só voltam mesmo por volta dos sete minutos, até lá o que se sucede é uma criação de melodias memoráveis. A viagem sonora com – novamente com vocal – agora é mais pesada, mas não demora e novamente o que temos é outra passagem instrumental, onde ela só termina com a entrada em um momento silencioso, em que somente o violão faz as honras na música, tendo alguns minutos depois a companhia da flauta – novamente de influencia celta – e em seguida dos demais instrumentos, criando a mais bela harmonia encontrada do álbum. É linda a maneira como guitarra e piano trabalham de forma pesada e ao mesmo tempo parecem soar leve. Ainda existe um momento silencioso próximo do fim, através de um piano seguido por um trabalho de guitarra de extremo bom gosto na medida em que a melodia vai se desenvolvendo, também se juntam a eles algumas melodias vocais e assim a banda vai até o fim. Uma verdadeira obra-prima. 

Um clássico do rock progressivo contemporâneo e que deveria ser mais conhecido e valorizado, pois o que a banda mostra aqui chega ser assustador de tão impressionante. Não existe um ponto fraco em nenhum lugar. As composições seguem em um fluxo que ao mesmo tempo em que é progressivo, pode ser acessível em muitas partes, algo que não é fácil de fazer. Barbares é perfeito.

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