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Resenha: Lykaia (2017)

Álbum de Soen

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Mais orgânico, criticado por muitos e amado por inúmeros

Por: Yago Neco Teixeira

22/07/2020

Após um intervalo de 3 anos sem lançar nada inédito, o Soen lança “Lykaia” (2017) com uma nova line-up que contou com Marcus Jidell (ex-Evergrey, Avatarium) nas guitarras e com Lars Åhlund nos teclados/órgão/guitarras (além dos já membros Martin Lopez, Joel Ekelöf e Stefan Stenberg). 

O álbum foi produzido com uma premissa bastante curiosa e ambiciosa, pois foi produzido de forma totalmente analógica, ou seja, de forma mais “old school”, com menos polimentos, mais destaque para distorção e etc. Consequentemente, a sensação é que o álbum soa muito alto, guardadas as devidas proporções.
Essa premissa casou muito bem com os temas abordados nas letras das músicas, pois elas falam sobre temas pessoais como paixões e amores, fé cega e hipocrisia existente no meio das religiões e sentimentos introspectivos. Com isso, o álbum se tornou um trabalho mais orgânico, desde a forma de produção analógica e as harmonias e melodias até as letras de todas as músicas.

“Sectarian” abre o álbum já mostrando todas as características que citei acima, uma ótima canção. “Orison” vem em seguida e já começa com um riff de guitarra característico de bandas de prog metal (preciso, quebrado e pesado). É um prato cheio para quem gosta da típica estrutura de música que começa pesada e do meio para o fim se torna uma aula de harmonias e melodias lentas e suaves.
“Lucidity” é, de longe, o ponto mais atraente desse álbum, visto que é uma balada altamente trabalhada e agradável tanto ao público mais comercial quanto ao público mais seletivo. “Opal” recupera o peso e a distorção não presente na faixa anterior, possui um refrão muito bom que junto a segunda parte da música ganham destaque. “Jinn” é um equilíbrio entre instrumentos distorcidos e atmosferas fantásticas, o destaque vai para o desfecho oriental bastante interessante e incomum.
“Sister” é pesada e direta com um refrão repetitivo que chega a desagradar um pouco. O destaque vai para a cozinha (bateria e baixo), sempre executando um trabalho técnico excelente. “Stray” já começa grande e cresce ainda mais em seu excelente refrão, uma viagem singular.
“Paragon” encerra o álbum comum de forma branda, com harmonias/melodias melancólicas que trazem um profundo sentimento de nostalgia. Excelente para aqueles típicos momentos de autoanálise e reflexões sobre a vida. “God’s Acre” e “Vitriol” são faixas bônus, a primeira ótima e a segunda nem tanto.

O motivo do título dessa resenha é justamente pela premissa desse álbum. “Soar orgânico” por meio de produção analógica não agradou muito parte dos fãs e da crítica, devido ao fato de alguns trechos das músicas soarem como uma competição por quem toca mais alto. Por isso, a banda relançou o álbum revisado e com faixas bônus. No mais, o álbum é excelente, tanto antes como depois da revisão, vale a pena conferir.

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