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Resenha: Kin Ping Meh (1972)

Álbum de Kin Ping Meh

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Feito para quem gosta de um rock 70’s mais eclético

Autor: Tiago Meneses

21/07/2020

Kin Ping Meh é um quinteto alemão formado em Mannheim – oeste de Frankfurt – que durou basicamente toda a década de setenta, tendo seu início no começo da década e o seu término quase em seu final. Em alguns lugares os vi definidos como uma banda do movimento Krautrock, eu já os vejo mais na linha heavy/psyche, mostrando músicas melódicas e de melodias divertidas, onde a guitarra e o órgão se alteram como líderes das músicas, mas como sempre digo, pra evitar essas indecisões de rótulos, vamos apenas chama-la de uma banda de rock progressivo e ponto. As letras em inglês são todas escritas por Werner Stephan, também responsável pelos vocais e violão. Sobre o nome da banda, ele foi tirado de um título de um romance chinês sem tradução para o português, mas a sua versão em inglês chama-se The Plum in the Golden Vase. 

“Fairt-Tale” é a faixa que dá início ao disco através de uma marcação de baixo e pratos, seguidos por guitarra e violão, a música vai crescendo até em fim todos os instrumentos criarem uma forte melodia em que os primeiros vocais deitam em cima. Eu gosto muito tanto do órgão quanto da guitarra dessa música. Possui uma seção instrumental matadora que inicia por volta dos cinco minutos. Um começo de disco excelente. “Sometime” tem um som mais descontraído, com a guitarra, órgão e bateria soando de maneira flutuante. Vale também mencionar o mellotron – que pra mim sempre valoriza uma música - e o belo e apaixonado solo de guitarra. 

“Don't You Know” é uma música que desde que ouvi pela primeira vez eu já achei bastante cativante. Tem um riff forte de guitarra, uma cozinha pulsante e enérgica, os vocais são excelentes e ainda tem um solo de órgão muito bonito. Momentos bastante explosivos – que inclui uma explosão no real sentido da palavra, seguida por uma seção instrumental incrível. Eu adoro esse som. “Too Many People” começa com algumas risadas que são seguidas por um violão, bateria, gaita e algumas palmas, em seguida o órgão e os vocais aparecem, deixando tudo em um clima meio de luau. Essa música me faz lembrar muito do Rolling Stones. Essa é daquele tipo de faixa que deixa uma sensação boa no ouvinte. 

“Drugson's Trip” é um título meio engraçado, mas é mais uma faixa muito boa. Começa com uma guitarra que é pura crueza, mas logo ganha à companhia do órgão, bateria e vocal. Bastante cativante, há um momento em que a faixa se instala dentro de uma linha mais silenciosa, mas ela vai ganhando força novamente até regressar a um som mais pesado e cru. Uma faixa surpreendente. “My Dove” é um som mais descontraído, com vocais, bateria e órgão desempenhando os seus papeis de maneira bastante suave, com no máximo alguns pequenos espasmos. A linha de baixo dessa música é bem agradável. Então que a faixa ganha uma reviravolta com a guitarra em destaque sobre uma bateria inquieta. Novamente o uso de mellotron deixou a faixa mais rica. 

“Everything” é uma música que começa bastante forte, o riff de guitarra logo puxa um órgão cheio de potência enquanto que a cozinha sustenta o peso. Os vocais são ótimos e o coro é muito empolgante. Como a banda fez em outras faixas, aqui também há uma pausa instrumental. “My Future” é a música mais curta e também a que encerra o disco. Bastante descontraída, começa ao violão e logo ganha a companhia de baixo e percussão, os vocais são bem divertidos. Algumas pinceladas de guitarra e órgão também colorem o som. A música quis terminar disco em certo alto astral e a ideia deu certo. 

No geral é um ótimo disco, uma estreia impressionante de um produto típico da época, feito para quem gosta de um rock 70’s mais eclético.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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