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Resenha: Silent Cries And Mighty Echoes (1979)

Álbum de Eloy

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Um disco de músicas muito bem fluidas e de composições notáveis

Autor: Tiago Meneses

19/07/2020

Certa vez eu li que Silent Cries And Mighty Echoes foi o disco mais vendido do Eloy, algo bastante compreensível, pois apesar de progressivo ele também parece ser do tipo que mais pode ser aceito por grupos de ouvintes menos iniciados no gênero. Tudo soa muito cativante. Schmidtchhen e Rosenthal deixariam o grupo em seguida e seriam substituídos por Hannes Folberth e Jim McGillveray, respectivamente, e, além disso, a banda também adicionria os trabalhos de guitarra de Hannes Arkona. Apesar de alguns ótimos discos posteriores – incluindo Planets, um dos meus preferidos -, Silent Cries And Mighty Echoes foi o último onde houve uma exploração maravilhosa da banda a elementos espaciais. 

“Astral Entrance" inicia o disco maravilhosamente bem, em suas nuances iniciais é difícil não lembrar Pink Floyd - Shine on you Crazy Diamond em específico -, a ambientação criada pela guitarra gilmouriana – mas sem deixar de ser original – é algo simplesmente de tirar o fôlego. Um belo começo de disco. “Master of Sensation” segue deixando o disco em um alto nível de composição. Emocionalmente a música é bastante animadora e eu duvido muito que existe algum fã da banda que tenha problemas em gostar dela. Possui uma paisagem sonora belíssima, um estilo vocal ótimo, além de um trabalho de teclado impressionante que dá um clima espacial maravilhoso, as linhas de baixo também são ótimas ao longo de toda música. Posso defini-la facilmente como uma música perfeita. Para o ouvinte que tem a ideia de que música é emoção, eis um grande exemplo disso. 

Se há algo no Eloy em que eu acho que a banda é muito bem sucedida, certamente é no fato de conseguir criar um fluxo maravilhoso de músicas em seus álbuns. A maneira como a primeira faixa – sim, as duas primeiras faixas do disco são consideradas apenas uma – flui para a segunda é muito boa. “The Apocalypse” é um épico composto por três partes, “ Silent Cries Divide The Night”, “The Division Burning” e “Force Majeure”, nas quais os interlúdios musicais incluem excepcionais preenchimentos de guitarras e teclados. Um dos momentos mais brilhantes do álbum, a parte final é linda, além de possuir muitas notas emocionais e delicadas. O baixo é bem evidente e elaborado, notas sustentadas de teclado e sintetizador, e, claro, mais alguns exímios trabalhos de guitarra.  

“Pilot To Paradise” começa mostrando certo domínio por parte do baixo, mas que logo vai ganhando uma companhia maior do teclado e bateria para montar uma seção rítmica bastante rica e criativa. A transição para as primeiras linhas vocais é ótima. À medida com que a música vai fluindo maravilhosamente bem, também há um ótimo clima espacial, cortesia principalmente do baixo e claro, teclados. No meio da faixa tem um solo de órgão bastante delicado e muito bom que é seguido pelo último verso da letra. No final a faixa ainda nos presenteia com um trabalho impressionante de guitarra. 

“De Labore Solis” começa bastante suave com um trabalho de teclado em destaque, mas muito acompanhado por linhas de baixo e toques de guitarras que também entra logo em seguida, formando toda a cama para que vocais se deitem. De certa forma podemos considerar esta faixa como uma espécie de descanso, já que todas as músicas até aqui foram mais animadas. Uma música em que mais uma vez mostra o quanto às ideias de baixo deste disco são ótimas. 

“Mighty Echoes” é a faixa que conclui o disco e faz isso maravilhosamente bem. Novamente é uma peça que começa de maneira bastante suave, mas vai crescendo conforme vai acontecendo um deslumbramento da bateria e sons de teclado. Tem umas letras bastante interessantes e dá ao disco um final edificante e de uma mensagem final significativa. 

Entre os discos feitos já na reta final da era de ouro do rock progressivo, certamente que Silent Cries And Mighty Echoes e trata de uma obra-prima. As composições são notáveis, a música flui muito bem, nunca trazendo qualquer tipo de sensação que possa fazer com que o ouvinte fique entediado, belos solos de guitarra e teclado, enfim, todo o desempenho da banda para entregar um excelente disco é algo que fica bem claro. Não vejo absolutamente nada fora do lugar.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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