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Resenha: Broken China (1996)

Álbum de Richard Wright

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Um disco aventureiro e majestoso, além de muito bem escrito e arranjado

Autor: Tiago Meneses

14/07/2020

Após ter participado novamente do Pink Floyd como membro da banda – algo que não ocorria desde as gravações de The Wall -, Richard Wright decidiu voltar ao estúdio e escreve um disco conceitual sobre a depressão – lembrando muito clássicos do Pink Floyd em sua estrutura e sentimentos no geral. O resultado pra mim apenas confirmou Wright como o melhor membro do Pink Floyd quando o assunto é carreira solo. 

A composição de Broken China é complexa e nada instintiva. Principalmente se olharmos as peças musicais que tem um direcionamento bastante diferente. Algumas músicas são muito mais calmas e até mesmo angustiantes em alguns momentos como, “Hidden Fear” e “Unfair Ground”, enquanto que em outros tudo soa bem mais ritmado, caso de, “Runaway e Satellite”. No fim, estas combinações tão distintas de atmosferas conseguem descrever de uma maneira maravilhosa os sentimentos da depressão. 

Eu sempre gostei muito da voz de Rick, então aqui as coisas não iam ser diferentes, o músico traz muita emoção em cada uma de suas composições, além das músicas soarem muito poderosas. “Night of a Thousand Furry Toys” e “Far from the Harbour Hall” são dois exemplos de músicas bastante opressivas e parecem estarem muito em conformidade com o assunto abordado pelo álbum.  O teclado de Wright é notável e usa de muitos sons diferentes de sintetizadores para descrever os sentimentos que ele deseja, funcionando maravilhosamente bem, faixas como, “Interlude”, “Black Cloud”, “Drowning” e “Sweet July” exemplificam muito bem o que eu estou falando. Wright pode não ser um virtuoso, mas sempre se mostrou um músico que preza pelo uso muito inspirado e inteligente de texturas e arranjos.

Em minha opinião, as duas melhores músicas estão em partes do final do álbum. Primeiramente, “Reaching For The Rail”, um dueto entre Rick e Sinéad O'Connor bastante emocional. Esta música tem uma melodia simplesmente perfeita, do tipo que lembra o ouvinte que estamos diante do autor de obras maravilhosas como “Us and Them” e “The Great Gig in the Sky”. Sinceramente, Sinéad O'Connor foi à escolha mais perfeita que Wright poderia ter feito. Um desfile de diferentes sintetizadores, órgão e piano que são usados de uma maneira não menos do que perfeita. O segundo grande momento do disco fica por conta de “Along The Shoreline”, uma música bastante surpreendente, com uma linha de baixo incrível e um excelente solo de sintetizador no final. 

Ao ouvir este álbum, é impossível não pensar em algumas coisas do Pink Floyd, como Dark Side of the Moon ou The Division Bell, e acredito que Rick tenha pensado nestes discos, mas sem abrir mão da sua originalidade. Eu também penso em “Amused to Death”, porém, se em Broken Chine, Rick mostrou querer um final feliz para o seu álbum, tanto que isso acontece de certa forma em “Breakthrough”, dando um raio de esperança e terminando o disco de uma maneira boa, no trabalho de Rogers Waters, a escolha é por um fim mais pessimista. 

Apesar de o disco possuir tantas qualidades, falo apenas em meu nome, sendo assim, costumo falar normalmente que se trata de um álbum para ouvintes intrépidos e de mente mais aberta. O disco passa por mudanças inesperadas de humor, passagens mais rock e outras jazzísticas, além de sugar o ouvinte até mesmo para profundidades musicais místicas. Um disco aventureiro e majestoso, além de muito bem escrito e arranjado.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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