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Resenha: Back In Black (1980)

Álbum de AC/DC

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Rock and Roll de luto

Por: Fábio Arthur

14/07/2020

Após as dificuldades enfrentadas com o falecimento de Bon Scott, o grupo AC/DC resolveu dar continuidade na carreira e valeram-se de Brain Johnson para os vocais. A mudança de som não foi abrupta, mas os elementos vocais sim, e acabaram por dar uma nova visão ao estilo do grupo.

De fato, se a banda havia começado em 1978 a seguir para o topo, passaram por 1979 quase ao ápice dele, e após Back in Black sair no mercado, a banda alcançou o estrelato de vez. Até hoje o disco é um marco, não somente para a banda como no quesito rock no geral, os números em vendas chegam em mais de 50 milhões cópias. 

Trazendo uma arte em estilo comparada ao trocadilho do título e ao luto - datado, pela falta de Scott -, a banda abrangeu inúmeros recordes e proporções. Mas, houve dificuldade na gravação, apesar dessa soar perfeita e à frente de seu tempo, e também com alguns concertos e localidades de estúdio.

Mutt Lange produziu e foram quatro singles para o empenho de propaganda. Os vídeos para algumas faixas foram gravados em estúdio com armação de palco mas no fim a coisa toda acabou ficando bem precária e muito mal vista; mesmo em se tratando de clássicos eternos do rock.

A voz de Brain soa aguda e ríspida, trazendo elementos mais fortes e menos rocker de que Bon, mas enfim, a coisa toda tinha uma veia diferente pois estavam com um novo vocalista. Os riffs e melodias ainda pareciam o mesmo grupo dos anos 70, mas com algo mais moderno. 

Um outro fato é que algumas canções soam como se fossem mais audíveis para o mercado americano, caso de "You Shook Me All Night Long". Enfim, o trabalho caminha para um denominador de que a banda iria abraçar o mercado de forma geral. As letras de cunho diabólicas e com duplo sentido continuam aqui com "Hells Bells", talvez a melhor do trabalho, creio eu, e assim mantém aquele teor em tons sombrios do disco antecessor. A faixa trouxe o sino para as apresentações ao vivo, em que figura em todo concerto do grupo. 

"Back in Black", amada por tantos e copiada, é uma candidata como preferida dos fãs. "Shoot to Thrill" tem uma letra ótima e o balanço é muito promissor, além do vocal em alto tom. "Let put my Love Into You" belíssima estilo blues/rock, e nessa pegada temos a "Rock and Roll Aint Noise Polution", em que o começo ao fundo ditado por Brian foi uma orientação do produtor, como um pastor de igreja pregando. "What do you do for Money Honey" é perfeita, forte e clássica, Have Drink on Me" é outra preferida com balanço clássico do grupo.

Entre mais alguns hits o disco funciona muito bem. Perto de completar 40 anos agora em 2020, traz ainda algo bem relevante.

Ouço pouco esse disco hoje em dia, mas ele merece todo o destaque.

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