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Resenha: The Red Planet (2020)

Álbum de Rick Wakeman

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Rick Wakeman retorna ao progressivo com ótimo album!

Autor: Márcio Chagas

02/07/2020

Rick Wakeman é um dos maiores músicos de todos os tempos. Tecladista virtuoso, fez fama a frente do Yes, um dos baluartes do rock progressivo e é sempre lembrado em qualquer lista que inclua os cinco melhores tecladistas do mundo. 

Sua carreira solo também é recheada de clássicos, como “The Six Wifes of Henry VIII” e Journey to Centre of The Earth”, obras que se tornaram tão obrigatórias quanto os primeiros discos lançados ao lado de sua banda principal. 

Porém desde o inicio do novo milênio, o músico vem lançado obras esparsas e erráticas, que apesar da  boa qualidade, o afastam do rock progressivo, estilo que os fãs sempre esperam ouvir em se tratando de Wakeman. Sua ultima obra dentro do estilo foi com o mediano “Out There” lançado em 2003.

Porém, quem acompanha o tecladista em suas redes sociais ficou impactado quando o músico publicou no inicio de 2020 que estaria gravando um novo álbum de rock progressivo ao lado de sua banda, a English Rock Esemble.

Produzido por Erik Jordan e pelo próprio Wakeman, o álbum tem oito canções inspiradas na geografia e paisagem do planeta marte, daí o título do disco. Embora não existam vocais, o album pode ser considerado conceitual, uma vez que seus temas estão interligados por um único assunto, que se traduz diretamente na conceção da arte estampada na capa.

Fazendo parte da banda de apoio estão o guitarrista Dave Colquhoun, o baterista Ash Soan e o baixista Lee Pomeroy, este ultimo, conhecido pelo seu trabalho ao lado da versão do Yes com os vocais de Jon Anderson e do grupo de neo progressivo It Bites.

Completamente instrumental, o álbum tem uma sonoridade similar ao seu primeiro trabalho, o citado “The Six Wifes...”, pelo peso utilizado nos teclados analógicos e digitais, além da estrutura utilizada nas canções;

A abertura com “Ascraeus Mons" e sua introdução no órgão, acompanhando dos tambores nos dá uma pista do que virá em seguida: Um progressivo pesado, com proeminência de teclados dos mais variados tipos, com acompanhamento de uma excelente banda e ótimas incursões de guitarra, que ajudam a “quebrar” a grandiloquência do trabalho;

O disco é bem linear, mas por gosto pessoal, destaco “Arsia Mons”, com mudanças bruscas de andamento e partes acústicas de violão, alem de excelente condução de baixo; A viajante “South Pole”, com um inserções de piano pelo tema, deixando a faixa lírica e agradável; 

“Tharsis Tolus”, com um incrível solo de Moog; E ainda “Vales Marineris” que encerra o álbum com mais de dez minutos e pode ser considerada a suíte do disco, com algumas variações de andamento, e um baixo tão cortante como do mestre Chris Squire! A presença da guitarra de Dave é discreta, mas bem eficiente.

Não é exagero dizer que este é o melhor e mais sinfônico trabalho do mestre Wakeman desde “Return to the Centre of the Earth” lançado em 1999, uma volta completa as raízes progressivas, estilo que o consagrou.

“The Red Planet” foi lançado oficialmente em 19 de junho de 2020, com certo atraso em virtude da pandemia. Porém, atualmente pode ser encontrado em varias plataformas digitais, sendo que os colecionadores podem adquirir as mais diversas versões do álbum, do CD simples ao vinil duplo autografado ou combos que incluem até mesmo DVD de bônus. 

Certamente é uma ótima oportunidade de conferir que o tecladista se encontra em excelente forma e consegue fazer bons álbuns quando quer.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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