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Resenha: Green And Grey (1989)

Álbum de New Model Army

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...that meanders up these valleys of green and grey...

Por: meanders2001

01/07/2020

Um single saído do álbum Thunder and Consolation é uma escolha extremamente delicada dada a quantidade de canções candidatas à single daquele lançamento que data do fim dos anos 1980.

Porém, Green and Grey é um caso à parte.
Fazendo o fechamento do primeiro lado do LP, quem diria, uma quinta faixa somente, de lado A, se tornava uma constante logo na primeira turnê, entoada pelos ardorosos fãs que aclamariam esta como um dos melhores momentos da banda, em toda sua trajetória.

O maior feito talvez tenha sido algo despretensioso: toda a composição musical é creditada à Robert Charles Heaton, baterista e parceiro co fundador de Justin Edward Sullivan, que ainda usava o codinome Slade the Leveller à época, nessa empreitada, e que seja, possuía muito talento ao violão também. 

Heaton não deveria imaginar que G&G, como apareceria grafada em muitos setlists, a cada noite de execução pelos palcos de todas cidades que passaram a acolhê-los, teria esse alcance em sua carreira, até se aposentar da banda, coisa de dez anos depois.

Nesse tempo, excursionou o mundo e gravou ao menos 3 outros álbuns de estúdio. Mas que talvez não tiveram o momento de pura poesia que esteve cercado dessa época de Thunder and Consolation. As sessões aliás, foram realizadas num estúdio que se tornou ícone à época: The Sawmill era daqueles lugares mágicos, isolado e acessível apenas por água, cuja travessia  estava na dependência das marés e cujo ambiente de refúgio, talvez tenha propiciado parte dessa inspiração, conforme relatos dos que participaram daquele período.
 
Um trovão de anúncio de temporais já algo distantes e um grito abafado também ao longe...vai se encobrindo com a entrada de sintetizadores e esse é o clima introdutório até que violões chegam pra sobressair e ser a linha condutora. No vídeo clipe promocional da gravadora à ocasião, quem esperava The Leveller, que usualmente está munido de seus violões, se surpreende com Rob conduzindo a melodia nas cordas... até que "the time I think most clearly... the time I drift away..." finalmente, é Justin e sua banguela (só foi reimplantar muito tempo depois o incisivo que tanto deu o que falar em sua carreira) que intercala nas imagens, ambos em violões e seguindo a canção, magistralmente, fazendo referências a um lugar que ficou no tempo e as pessoas que lá ficaram, enquanto outros que foram buscar algo mundo afora, regressam e não mais se encontram nesse lugar, nem nas pessoas que lá permaneceram...

Não à toa, dentre os fãs, tal momento que dura pouco mais de seis minutos, pede que se dure uma eternidade: há muitos relatos e declarações mesmo, sobre o desejo, como aquele de último pedido de condenado, de que seus próprios funerais possam ter G&G como a música de seu velório.

Esse single 7" teve na edição original apenas uma faixa de excelente bom gosto como lado B. Trata-se da The Charge, anteriomente só num mini LP, só que aqui, em versão ao vivo.  Outras edições em formato cd ou 12" tiveram, ao invés desse, outras faixas, também gravadas de shows daquele período. Vá buscá-las e enalteça sua coleção. A arte de capa, oras, Joolz, sempre.

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