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Resenha: LP1 (2011)

Álbum de Joss Stone

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LP1 é um disco bastante honesto e coeso

Autor: Tiago Meneses

29/06/2020

Desde que começou a mostrar o seu talento ainda com 14 anos ao viajar pra Nova York com a intenção de participar de um concurso musical promovido por uma rádio local, a inglesa da pequena cidade de Dover, Joss Stone, foi provando que o “tiro” dado por aqueles que estavam dispostos a apostar no seu talento, não sairia pela culatra, muito pelo contrário, seria certo que a garota loira e de aparência frágil, em pouco tempo poderia ganhar o status da mais nova diva da R&B por conta de sua voz arrojada, uma espécie de branca de voz negra. 

Agora relembrando o que aconteceu na época, me recordo bem que antes de ouvir o álbum pela primeira vez, li de alguns críticos que a cantora em LP1 solidificou o pensamento de muitas pessoas que, embora a cada novo trabalho, a cantora ainda mostre ótimas interpretações das músicas através de uma bela voz, Joss Stone estava perdendo uma das suas maiores características, ou seja, o groove, sem contar outros comentários extremamente pejorativos. Bom, eu não consegui enxergar essa “decadência”, ainda que LP1 não soe como um novo Mind, Body & Soul, o mesmo possui sim qualidade em vários momentos. Só mais um detalhe, o álbum encontra-se em algumas versões com duas faixas bônus, mas a resenha será feita baseada no álbum simples, de 10 faixas.

Bom, sobre o que o ouvinte vai encontrar no álbum, trata-se novamente de mais uma espécie de renovação musical da daquele período da cantora, com um espírito rock ‘n’ roll um pouco mais aflorado, isso muito provavelmente por Stone estar trabalhando ao lado de rockstars como Jeff Beck e Mick Jagger, mas sem perder muita da própria identidade soul. Baseada nessa mais nova renovação musical, o álbum tem início com uma faixa de nome bem sugestivo, a bela faixa “Newborn”, começa com apenas violão e voz muito bem executado até que o refrão é cantado pela primeira vez e os outros instrumentos passam a acompanhar Joss, dando mais corpo à canção, assim segue até o seu final, bonito arranjo sob uma bela interpretação. A segunda faixa, “Karma”, também é bastante interessante, com um começo onde os seus 10 primeiros segundos me fez lembrar a introdução da música “Circle of Fire” da Steve Miller Band, mas as semelhanças param por aí, “Karma” é uma faixa de levada bastante calcada no rock ‘n’ roll e, que em alguns momentos, nos remete salvo as devidas proporções, a um vocal à lá Janis Joplin devido a potencia usada por Joss em certas passagens. 

Em “Don’t Start to Lie To Me Now” a cantora segue uma linha mais ao estilo “blues primitivo”, uma levada de piano que lembra bastante a executada por muitos artistas dos anos 50, novamente com um vocal muito forte, Joss tenta sempre encarnar as personagens de suas canções, isso é uma característica louvável, onde só quem se entrega de corpo e alma consegue fazer com excelência. A quarta faixa, “Last One To You” é um dos melhores momentos do álbum, provavelmente por contar com uma das principais características que fizeram com que a cantora ganhasse uma grande notoriedade no meio musical, um vocal variando em partes mais serenas e outras um tanto mais agressivos, ainda que por cima de uma melodia continuamente tranquila. 

Seguindo praticamente pelo mesmo caminho, “Drive All Night” também figura facilmente como uma das minhas faixas favoritas pelo mesmo motivo que citei na música anterior. Com um teclado vintage fazendo a cama melódica sob umas simples notas de guitarra, encaixes de percussão e adições vocais perfeitas de Stone, o clima criado na música não poderia ser melhor. Agora com “Cry Myself to Sleep”, a faixa é praticamente toda acústica, onde apenas na sua parte final acontece uma incorporação dos outros instrumentos e a entrada de um coro de fundo que acompanha a cantora até o término da música.

“Somehow” é uma canção extremamente divertida, de uma levada maravilhosa e um refrão que facilmente gruda na cabeça, sem esquecer também de mencionar que aqui é uma das provas de que o seu groove muito mais do que vivo nas veias da cantora, ainda está bastante ativo. Na próxima faixa, “Landlord”, a parte instrumental se limita em um trabalho acústico e deixa claro que a canção é quase que inteiramente voltada ao desempenho vocal de Stone, esse mais uma vez feito com muita competência.  

O penúltimo ato de LP1 é “BoatYard”, começa de forma bastante melancólica até a melodia ganhar mais força com direito a um solo de guitarra no meio com grande reminiscências a baladas de bandas AOR. Por fim, “Take Good Care” usa a mesma fórmula de “Landlord”, ou seja, uma cama melódica acústica pra que a voz de Joss deite de forma relaxada a soar de maneira bem serena.

LP1 é um disco bastante honesto e coeso, onde mesmo que não tenha a mesma força musical de alguns discos anteriores a ele, não deixa de ser ótimo e uma boa opção para apreciar uma das grandes vozes da música Soul e R&B surgidas no ainda jovem século XXI.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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