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Resenha: Roberto Carlos (1971)

Álbum de Roberto Carlos

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Notoriedade em evoluções

Autor: Fábio Arthur

28/06/2020

Roberto Carlos obteve uma condução certeira em sua música e, já em 1968, ele adota um estilo mais fértil em todos os trâmites possíveis. Quando no final da década de 70 trouxe o Gospel para suas letras e composições, Roberto não tinha intenção de soar religioso - de forma alguma, simplesmente o gênero lhe agradou -, e não somente essa vertente, mas sua evolutiva romantizada, lhe trouxe uma gama de fatores existências e promissores, para que o mesmo continuasse dentro do cenário.

A intenção de ser mais plausível para com um geração de pessoas mais adultas viera do empresário que o orientou para aquele mercado exigido. Naquele momento, a ideia era que Roberto não caísse em ostracismo e assim pudesse seguir obtendo um público alvo. 

Funciona e bem essa fase de Roberto Carlos. As melodias, letras, arranjos e o estilo coube como uma luva, trazendo Roberto para a vida adulta como um cantor ainda mais respeitável. Esse disco de 1971 está relacionado como um dos mais perfeitos álbuns brasileiros. Sendo que marca o trabalho como clássico e o #11 disco da carreira. 

Evandro Ribeiro produziu o disco, que marca de forma exata a melodia romântica do cantor, ainda com aquele tom de rock sutil ao fundo do long play. Com essa arte belíssima, as músicas mantêm o mesmo nível e teores. Detalhes, a preferida de Roberto, é um exemplo da evolutiva dentro do repertório. Como dois e Dois atrela o nível rock com padrão novo instaurado. Traumas é forte em sua ambiência e sua letra retrata algo real vivido do cantor em um momento mais profundo de sua infância, uma faixa dolorosa. Eu Só tenho um Caminho é muito boa com a interpretação ótima do artista. Todos Estão Surdos traz o apelo Gospel e pessoal da fé, agora começando a assumir um papel na carreira do cantor.  Debaixo dos Caracóis de seus Cabelos foi feita para Caetano no exílio e traz uma letra bem profunda e poética. Ao final, Amanda Amante mostra o teor romântico e insere de vez o que viria na carreira do cantor. A música é expressiva e tem algo de realismo, mesmo que o cantor negue.

Erasmo como sempre mantém a força junto a Roberto, trazendo um período ótimo de composições. Eu tinha o vinil e ouvi ele anos a fio com a mesma impressão que tenho hoje, de que o disco é um clássico, notório e profundo.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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