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Resenha: Force It (1975)

Álbum de UFO

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OVNI em altos decibéis!

Autor: Márcio Chagas

27/06/2020

O UFO pode ser considerado um dos expoentes da sonoridade pesada que originou o  NWOBHM ou New Wave of British Heavy Metal, devido a seus riffs pungentes e o peso imprimido em seus álbuns lançados nos anos 70.

Mas nem sempre foi assim: O grupo começou com uma sonoridade psicodélica e espacial que fez muito sucesso no Japão, lançando dois bons álbuns do estilo. Apenas no terceiro álbum, “Phenomenon”, o primeiro com Michael Schenker, que o grupo optou por mudanças em sua sonoridade, adotando um estilo mais direto e pesado;

Então “Force It” pode ser considerado a ratificação e amadurecimento do novo estilo praticado pela banda, que na época contava com Phil Moog nos vocais, Pete Way no baixo, Andy Parker na bateria e o citado Schenker nas guitarras.

O grupo então investiu alto no que seria o novo álbum, utilizando o famoso Morgan Studios, casa de gigantes como Black Sabbath e Led Zeppelin para registrar as gravações. Para a produção veio Leo Lyons, Baixista do Tem Years After, que ainda trouxe consigo o seu colega de banda, Chick Churchill para registrar os poucos teclados do disco.

A parceria deu certo, Ufo apresenta um som mais direto, dinâmico, totalmente orientado pelas guitarras e com uma cozinha ao mesmo tempo demolidora e segura, dando o suporte certo para Moog brilhar com seus vocais rasgados.

O disco abre com destaque absoluto “Let It Roll”. Sua microfonia é seguida pelos riffs de Schenker e os vocais urgentes de Phil. A letra fala de velocidade, um tema corriqueiro nos anos 70. Um detalhe interessante é que Schenker dobra as guitarras, fazendo um duelo consigo mesmo;

Outros destaques: O Hardão Zeppeliano “Love Lost Love” a balada lindíssima e melancólica “High Flyer”, que serve para “descansar” o ouvinte da sonoridade mais pesada; e “Shoot, Shoot” com seu baixo galopante, mostrando o porquê de Steve Haris (Iron Maiden) gostar tanto da banda. O jovem Michael utiliza um solo meio retrô, (tipicamente anos 70). A canção serviu de single pro álbum;

Todas as faixas são de qualidade indiscutível e o petardo encerra com a cadenciada “The Kids”, que conta com excelentes incursões do piano de Churchill, fazendo um contraponto interessante com a guitarra. No final da canção, Schenker utiliza um tema instrumental de sua autoria chamado “Between The Walls”

‘Force It” mostra a banda em estado bruto, praticando um hard direto, pesado, sem firulas, mas ao mesmo tempo sem abrir mão da melodia. Michael Schenker já era um gênio do instrumento, mesmo ainda tão jovem, conseguindo se entrosar perfeitamente com o grupo, contribuindo com arranjos e composições.

Apesar de toda genialidade demonstrada e das boas críticas recebidas, o álbum não vendeu como o esperado, ficando acima do top 50 da Billboard chegando apenas 71ª posição. Ainda assim, não foram poucos os músicos que consideram este um trabalho altamente influenciável como Steve Harris e Eric Peterson, que  já teceram elogios a obra, que com o passar do tempo se tornou clássica e icônica.

Uma curiosidade tupiniquim: A capa do disco traz um casal seminu se agarrando dentro de um banheiro, algo considerado transgressor para época, mesmo nos países de primeiro mundo. Imagine então no Brasil onde se vivia sob a égide de um regime militar ditatorial. A gravadora nem ousou lançar o álbum com sua arte original. Então tiveram a “brilhante” ideia de utilizar a capa do álbum seguinte (!!!), “No Heavy Petting”. Ou seja, durante anos, os fãs brasileiros acreditaram estar ouvindo ‘No Heavy...” quando na verdade era o “Force It”. Coisas do Brasil.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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