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Resenha: On Solid Ground (1989)

Álbum de Larry Carlton

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Classe em terra firme!

Autor: Diogo Franco

27/06/2020

Em 1988, com sua notriedade se expandino, Larry foi vítima de uma tentativa de assassinato na porta de sua casa. O Mr 335 (apelido pelo qual é conhecido), atendeu um adolescente que, sem motivo aparente, lhe deu um tiro na garganta, interrompendo assim as gravações deste magnífico álbum. O guitarrista teve seu braço esquerdo paralisado por 6 meses e após inúmera sessões de fisioterapia e prática do instrumento conseguiu retomar suas atividades e concluir o disco. Por tudo isso esse álbum já merecia destaque, mas o jazzmaster não se fez de rogado e chamou uma verdadeira constelação musical para a empreitada. Músicos renomeados como o percussionista brasileiro Paulinho da Costa, os bateristas Rick Marotta e John Robinson, os tecladistas Alan Pasqua, Brian Mann e Terry Trotter, além das lendas Nathan East e Abraham Laboriel no baixo, entre outras feras, fizeram parte do time que compôs essa verdadeira pérola do Jazz Fusion e Smooth Jazz. 

Uma versão instrumental de Josie (clássico do Steely Dan gravado pelo próprio Carlton no disco Aja), abre o disco mostrando frases absurdas de guitarra e bateria concisa. A sequência vem com uma mescla de Smooth Jazz e fraseados bluesy, com forte acento pop. The philosopher reforça ainda mais o apelo pop, com as frases de guitarra de Carlton esbanjando classe e elegância. As frases são de fato um show à parte, pois Larry consegue exibir até mesmo agressividade sem perder a educação, como visto na maravilhosa versão de Layla, clássico do Derek and The Dominos de Eric Clapton. A impressão que temos é que o guitarrista esbraveja através da guitarra, mas com tanto finesse que entendemos perfeitamente o que ele quer dizer sem nos sentirmos insultados. O som de sua guitarra é realmente algo impressionante, com timbres adocicados e aveludados, cheia de feeling até mesmo com distorções mais ardidas. Sua veia pop casa bem com suas raízes fusion, e é por isso que esse disco merece ser escutado. Cito ainda a belíssima The Waffer, onde tive que ler o encarte do disco pra ver se não era George Benson que estava tocando aqui.

Interpretações magistrais fazem desse guitarrista audição obrigatória pra músicos e pra todo amante de boa música. Que disco maravilhoso!!

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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