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Resenha: Unplugged (1994)

Álbum de Gilberto Gil

MPB

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Gil revisita sua carreira em grande acústico

Por: Márcio Chagas

26/06/2020

Nos anos 90 a febre dos discos acústicos inundou o mercado musical. Quem viveu o período lembra bem, artistas que nunca utilizaram sequer um violão optaram por lançar discos acústicos no formato Unplugged MTV apenas para ganhar uns trocados. Claro que saiu coisas pavorosas de bandas que nem eram tão ruins, mas que nada tinham a ver com a sonoridade acústica como Arrested Denvelopment, por exemplo.

No meio de tantos equívocos, havia Gilberto Gil, que veio chegando com seu jeito baiano, manso, e terminou por gravar um dos melhores álbuns de todos os tempos lançado neste formato.

Para a gravação o cantor reuniu um time de músicos excepcionais, uma das melhores formações de sua banda de apoio, que contava com Celso Fonseca no violão, Lucas Santtana na Flauta, Jorginho Gomes na bateria e bandolim, Marcos Suzano na percussão e o inesquecível Arthur Maia no baixo acústico e baixolão;

O repertório foi muito bem pensado e programado, Gil intercalou seus grandes sucessos com surpresas interessantes, como a apresentação de “A Novidade”, de sua parceria com Herbert Vianna (Paralamas do sucesso); “Tenho Sede” da lavra de Dominguinhos e Anastácia, com um arranjo irrepreensível; e “Sampa” do amigo Caetano Veloso. Essas canções trouxeram um frescor ao ouvinte e impediu que o disco virasse apenas um coletânea do músico;

Em suas composições, o cantor as apresenta de duas maneiras: com arranjos mais rebuscados, mas próximas do original como acontece em “Realce”, “Drão” e “Tempo Rei”; e outras com arranjos diferentes como “Expresso 2222” e principalmente “Palco” que ganhou uma versão sincopada com um lindo solo de baixo em sua introdução;

De um modo geral, a sonoridade acústica se encaixou perfeitamente no universo de Gilberto Gil e nos arranjos idealizados pela banda. a flauta de Lucas deixou os arranjos mais melódicos com suas intervenções inteligentes e bem colocadas. A voz de Gil se mantém tranquila o tempo todo e parece estar em sua melhor forma, seguindo bem colocada em meio aos demais instrumentos, que atuam como coadjuvantes para seu timbre se destacar.

Com “Unplugged”, Gil revisitou sua carreira de um modo soberbo e criou um dos melhores discos do estilo. Um acústico de verdade.

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