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Resenha: ReLoad (1997)

Álbum de Metallica

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O lado B de Load

Autor: Fábio Arthur

26/06/2020

Enfim, nós anos 90, o Metallica era a promissora banda de Rock, nada de Thrash e/ou calças surradas e seus afins. A banda agora era o que Lars definia como "moderna" e soava em estilo de igual para o U2, no visual e popularidade.

O grupo chegou com a segunda parte de canções que ficaram de fora em Load, e até mesmo no título e arte, eles concebem o pecado da falta de cuidados e inovações. Se por um lado Load era rocker, sincero, com ótimas faixas e preciso, aqui a coisa desandou de vez e foi o enterro musical do Metallica, que só viria a piorar a cada obra lançada. Fazer uma resenha de Reload não é tarefa das mais fáceis, já que os fãs idolatram o grupo, a banda soa como número 1 do metal e os álbuns são bem estruturados em marketing, o que resulta em ótimas vendas.

A parte mais complicada nesse álbum, talvez seja a vontade do grupo de não fazer nada. Isso mesmo, o que seria melhor na ocasião era vender e vender sem ter trabalho, pois o disco já estava pronto e havia garotas moderninhas e jovens ansiosos por outro trabalho do grupo. Os fãs antigos - como eu - queriam enforcar a banda toda, quer fosse pelos escândalos de rock star do grupo ou pelo disco em si, moldado de forma em parecer uma sobra de estúdio.

Foi certificado em ouro, com 4 milhões em vendas instantâneas assim que saiu. Produção ótima, vídeos para a TV à cabo e uma porção de riffs descabidos com bateria simplória e um vocal fraquíssimo de James. Em se tratando de hits, foram 3 singles e uma tour exemplar. O Metallica agora era gente grande, de igual para com os pesos pesados. Lars conseguiu o que queria. Esse fato, da fama, pode ser conferido no livro de Mick Wall - aliás, um baita livro -, e caminhando na direção contrária, a banda surge imponente, forte, massacrando tudo ao seu redor. 

Dinheiro é bom demais, mexe com a cabeça e lhe dá oportunidade de fazer coisas das quais você jamais sonharia. Assim, a banda, que saiu de situações horríveis de estrada pobre, dormindo em chão e sem uma moeda - mesmo que Lars viesse de família com poderes aquisitivos, no Metallica do dia a dia ele era apenas o garoto mirrado e que sofria junto com a banda toda - chegar ao patamar maior, ser dono de si mesmo, mostrar ao mundo que eles eram grandes e fariam o que fosse permitido por eles mesmos; acaba sendo um momento supremo e audacioso. 

Em 1997 não tinha nada que fosse melhor que um veterano com pegada diferencial, e o Metallica era isso. Ao mesmo tempo, bandas como o Iron Maiden tentavam viver com nova perspectivas, mas não alteravam seu som de forma tão voraz quanto o Metallica. O Slayer até o fez, mas não deixou de ser pesado, diabólico e nem mesmo se esqueceu de serem eles mesmos; mas o Metallica era a direção oposta e chegaram ao nível que queriam.

"Fuel" abre o disco e traz uma forma nova de conceber o novo Metallica. A obra surge bem na linha riff rocker e de afinação moldada ao nível inverso do que o grupo fizera em um passado bem lá atrás e agrada em cheio os moleques de calça larga e camiseta xadrez. "The Memory Remains" é mais do mesmo, soa melancólica e atende uma parcela de fãs do qual estavam na vibe do grupo. "Unforgiven" II chegou para estragar a obra original e perfeita. Um deslize imperdoável, sem dúvida. "Carpe Diem Baby", que obra, mas sem fluxo musical. Letra bacana, mas o som não rola legal. "Attitude" cai bem até. Indo pro final do trabalho, a coisa melhora um pouco, e na última, "Fixxxer", o nível não deixa o ouvinte infeliz e traz um pouco daquele Load que era tão bem evoluído.

Metallica é sinônimo de rock e de metal. A banda se mostra em duas fases: a dos anos 80 e após esses grandes dias do passado. Não tem como deixar de reverenciar o grupo que trilhou uma década só de álbuns clássicos, mas enfim, existem mudanças em que não se deve deixar-se, permitir. Nunca!

O Metallica abusou de forma descarada e mergulhou em um baú dotado de riquezas enormes. De fato, uma coisa é certa, eles chegaram muito longe para uma banda de Thrash.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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